Relato honesto sobre ter um buldogue francês em minha vida
Depois de ter pesquisado muito sobre cães e ter acabado optado por um gato, a vontade/necessidade de ter um cachorro falou mais alto, principalmente depois que minha filha cresceu mais um pouquinho. No feriado de 7 de setembro de 2017, recebemos em nossa casa uma filhote de dois meses de buldogue francês tigrado escuro.
A escolha dessa raça foi racional, não emotiva, baseada nas descrições do yourpurebreedpuppy, um site, em inglês, que oferece relatos honestos a respeito dos pontos positivos e negativos de cada raça de cachorro. Busquei conciliar as expectativas do meu marido com o fato de ter criança pequena e morar em apartamento. O resultado foi o buldogue francês.
A seguir, coloco as características que me levaram a optar por essa raça e como essa qualidade se expressou com a minha cadelinha.
A escolha dessa raça foi racional, não emotiva, baseada nas descrições do yourpurebreedpuppy, um site, em inglês, que oferece relatos honestos a respeito dos pontos positivos e negativos de cada raça de cachorro. Busquei conciliar as expectativas do meu marido com o fato de ter criança pequena e morar em apartamento. O resultado foi o buldogue francês.
A seguir, coloco as características que me levaram a optar por essa raça e como essa qualidade se expressou com a minha cadelinha.
- Não late. Verdade. Já latiu muito pouco, algumas vezes, para o meu gato. Vem latindo cada vez menos. Nem preciso me preocupar com isso, mesmo quando um cachorro na vizinhança está latindo.
- Porte pequeno. É um cachorro de tamanho conveniente para quem mora em apartamento como eu, quer limpar menos cocô e gastar menos com alimentação.
- Não é dependente do dono. Verdade. Gosta muito de estar com a gente, procura por nossa presença, mas vai para a caminha, se estiver mais longe de nós, sem qualquer problema ou dependência. Quando percebe que não estamos dando atenção, vai brincar com os brinquedos ou vai perturbar o gato. Não demanda muito da minha atenção como algumas outras raças.
- Aparência robusta. Meu marido não queria cachorrinhos de madame nem frágeis. É um cachorro naturalmente musculoso e compacto. Todo mudo pensa, inclusive, que minha buldogue é um macho! É um características importante para quem tem crianças pequenas e que, acidentalmente ou por maneirismos próprios de crianças, podem machucar os cães.
- Sem traços de timidez ou medo. Essa foi uma característica pensada para atender especificamente às vontades do meu marido. Claro que eu não gostaria de um cachorro assim também, mas, por conta das expectativas do meu marido, afastei qualquer raça que pudesse ter algum traço de timidez ou medo. Realmente, a minha buldogue, devido à intensa curiosidade e talvez ao fato de ainda ser filhote, vai para cima de tudo, sem medo, de forma até estabanada. Nem de fogos de artifício ou de pássaros que atacam cães ela tem medo! Só houve uma única ocorrência de medo até hoje: quando ela viu um saco grande cheio de grama dentro embaixo do bloco. De longe, ela reparou e ficou parada. Eu percebi e fiz questão de passar do lado, foi quando ela saiu correndo que nem doida. Imediatamente, fiz um trabalho de dessensibilização e e ela, em pouco tempo, pareceu não ter mais problema nenhum com o tal saco de modo que passou ao lado dele sem maiores problemas.
- Brincalhão. A minha buldogue até hoje não aprendeu a buscar a bolinha. Aparentemente não gosta dessa brincadeira. Mesmo com a minha filha sendo uma criança, com aqueles movimentos inesperados, tons de vozes às vezes exaltados e toques indesejados, a minha cachorrinha não está fugindo dela e aceita com disposição algumas brincadeiras propostas pela minha filha. Outras vezes, porém, a minha cachorrinha simplesmente não está a fim de brincar ou de sair correndo atrás da gente.
- Engraçado. Apesar de ter visto referência a esta características em todas as descrições e inclusive no padrão oficial da raça, aúnica coisa que acho engraçada na minha buldogue francês é a cara. Cheguei à conclusão de que eu não devo ter senso de humor.
Essas foram as principais características que me levaram a optar pelo buldogue francês e posso dizer que, quanto a isso, ele é exatamente aquilo pelo qual eu esperava. Na verdade, eu procurava por um cachorro que fosse descomplicado e que não ficasse traumatizado ou medroso por um algum fato não harmonioso vivenciado dentro ou fora de casa. Também procurava por um cão que não me demandasse muito em termos de atividades físicas e intelectuais. E estou satisfeita nesse aspecto.
Agora vou falar sobre o que me irrita ou me incomoda na minha buldogue francês. Lembrando que cada cachorro é único, podendo haver variações de cachorro para cachorro.
Agora vou falar sobre o que me irrita ou me incomoda na minha buldogue francês. Lembrando que cada cachorro é único, podendo haver variações de cachorro para cachorro.
1. Está com quase 7 meses e até hoje não aprendeu de forma consistente a fazer xixi e cocô no lugar certo. Das 10 vezes que faz xixi e cocô, 9 são na dependência de empregada. Dessas 9, diria que 2 são no sanitário higiênico e o restante é no chão. O cocô nem sempre é tão duro e ele acaba escorrendo na grade do sanitário higiênico. Aí já viu quando seca a dificuldade que é para limpar, não é? Aliás, é normal fazer cocô 4 a 5x por dia?
2. Come o próprio cocô (e, se deixar, come o cocô do gato também). Fiquei muito desapontada com isso pois já passei por esse mesmo problema com um Shih Tzu que tive. Acho que nos resta usar o medicamento para ver se resolve.
3. Não considero um cachorro limpo. A minha nunca se importou muito de fazer as necessidades próximo à cama e já fez xixi diversas vezes no meu carro, como se estivesse privada de fazer xixi por horas, o que não é verdade. Será que não dava para esperar mais um pouco? Outra coisa que me incomoda é que, apesar de não ter pelos longos, em que as fezes podem grudar, se não houver tosa higiênica, sempre o bumbum dela fica muito sujo porque é frequente que o cocô não esteja com a consistência adequada.
3. Não considero um cachorro limpo. A minha nunca se importou muito de fazer as necessidades próximo à cama e já fez xixi diversas vezes no meu carro, como se estivesse privada de fazer xixi por horas, o que não é verdade. Será que não dava para esperar mais um pouco? Outra coisa que me incomoda é que, apesar de não ter pelos longos, em que as fezes podem grudar, se não houver tosa higiênica, sempre o bumbum dela fica muito sujo porque é frequente que o cocô não esteja com a consistência adequada.
4. Tendência à destrutividade nessa fase de filhote. Sim, ela tem uma necessidade incrível de morder as coisas, muito mais do que meu Shih Tzu. Bulls são destruidores. A minha destruiu duas caminhas, uma almofada e vários tapetes higiênicos! Era frustrante chegar em casa depois de um dia cansativo e ver algodão espelhado por todo lado, cocô e xixi fora do lugar, uma cena horrível. Por sugestão do adestrador, oferecemos certos ossinhos comestíveis para entretê-la por dias a fio e evitar essa tendência de morder os móveis da casa. Só que não dá para dar sempre.
5. Cheirinho de cachorro. Não tem cheiro como um Basset Hound ou um Golden Retriever, mas tem um cheiro característico, que não é exatamente ruim, porém é aquele cheiro que conhecemos. Acho bem tolerável.
6. Puns fedidos. Essa eu já havia me preparado psicologicamente. Incomoda sim, mas tolero, respeito.
7. Ronco. A minha buldogue francês por enquanto não ronca e acredito que não vá roncar. Ela emite um sonzinho gostoso ao dormir que até me dá uma tranquilidade.
8. Não gosta propriamente de passear, apenas de brincar. A minha cachorrinha às vezes trava, literalmente, como a dizer: não quero passear ou não quero ir nessa direção. Na verdade, quando passeio (uma das coisas que mais me dá prazer na vida e uma das razões pela qual decidi ter um cachorro), ela fica procurando por comida no chão e por outros cães, fazendo com que o passeio não flua. Ela gosta de ficar se rolando na grama e engatinhando. Em vez de eu achar isso engraçado, achei decepcionante.
9. Come tudo o que vê pelo caminho. Embora tenha melhorado um pouco, já que quando filhote chegou a tentar comer sabão em barra e pedra, isso ainda incomoda, pois eu tenho que ficar muito alerta quanto ao que ela põe na boca, uma preocupação que nunca tive com meu Shih Tzu.
10. Tem um hálito muito ruim, embora não tenha cárie. O veterinário mencionou que podem ser as dobras da região da boca que favorecem o acúmulo de restos alimentares e de cocô (já que ela come o próprio cocô).
11. Lambe demais. Você não pode chegar perto, que leva uma lambida supresa. Embora seja a forma de o cachorro demonstrar carinho (pelo menos penso assim), o excesso de lambidas me incomada, o que acaba me afastando fisicamente dela.
12. Não é um cachorro de colo. Eu gosto de abraçar o cachorro às vezes. Mas quando tento fazer isso, a minha buldogue fica desesperada e não deixa. É uma agonia, uma barulheira.
Eu me pergunto se eu realmente gosto de cachorros. Não sou pior que ninguém por pensar assim. E digo isso para os moralistas de plantão, que acham que estão acima do bem e do mal, imunes a falhas e imperfeições.
Será que se trata apenas de uma questão de perspectiva? É inevitável a comparação anterior com meu Shih Tzu, raça com a qual eu realmente me identifiquei. Tirando a coprofagia, eu não tinha nenhum dos problemas aqui descritos.
8. Não gosta propriamente de passear, apenas de brincar. A minha cachorrinha às vezes trava, literalmente, como a dizer: não quero passear ou não quero ir nessa direção. Na verdade, quando passeio (uma das coisas que mais me dá prazer na vida e uma das razões pela qual decidi ter um cachorro), ela fica procurando por comida no chão e por outros cães, fazendo com que o passeio não flua. Ela gosta de ficar se rolando na grama e engatinhando. Em vez de eu achar isso engraçado, achei decepcionante.
9. Come tudo o que vê pelo caminho. Embora tenha melhorado um pouco, já que quando filhote chegou a tentar comer sabão em barra e pedra, isso ainda incomoda, pois eu tenho que ficar muito alerta quanto ao que ela põe na boca, uma preocupação que nunca tive com meu Shih Tzu.
10. Tem um hálito muito ruim, embora não tenha cárie. O veterinário mencionou que podem ser as dobras da região da boca que favorecem o acúmulo de restos alimentares e de cocô (já que ela come o próprio cocô).
11. Lambe demais. Você não pode chegar perto, que leva uma lambida supresa. Embora seja a forma de o cachorro demonstrar carinho (pelo menos penso assim), o excesso de lambidas me incomada, o que acaba me afastando fisicamente dela.
12. Não é um cachorro de colo. Eu gosto de abraçar o cachorro às vezes. Mas quando tento fazer isso, a minha buldogue fica desesperada e não deixa. É uma agonia, uma barulheira.
Eu me pergunto se eu realmente gosto de cachorros. Não sou pior que ninguém por pensar assim. E digo isso para os moralistas de plantão, que acham que estão acima do bem e do mal, imunes a falhas e imperfeições.
Será que se trata apenas de uma questão de perspectiva? É inevitável a comparação anterior com meu Shih Tzu, raça com a qual eu realmente me identifiquei. Tirando a coprofagia, eu não tinha nenhum dos problemas aqui descritos.
Encontrei uma frase que, para mim, resume bem se a raça buldogue francês é ou não adequada para você: Frenchies são os melhores cães do mundo, para quem puder amá-los, pelo que eles são e, apesar do que eles são. Creio que isso se aplique à grande parte das raças de cachorro e essa combinação perfeita (perfect matching) dependerá das nossas próprias características como pessoas, do momento das nossas vidas e do local em que vivemos.
Ao ter que lidar com todas essas questões que me decepcionaram, pensei em ter uma raça que tivesse justamente as qualidades que procuro em um cachorro e que a minha buldogue francês não tem:
Ao ter que lidar com todas essas questões que me decepcionaram, pensei em ter uma raça que tivesse justamente as qualidades que procuro em um cachorro e que a minha buldogue francês não tem:
a) Cara de cachorro de verdade. Nada de raças braquicefálicas nem de focinhos achatados. Eu até acho essas raças de cachorro engraçadas, mas não bonitas. Como me disse alguém de mais idade - por isso está perdoada - sobre a minha buldogue francês: é tão feia, mas tão feia, que fica bonitinha. Além disso, não quero ver o cachorro morrendo depois de correr um pouquinho como acontece com a minha buldogue.
b) Pelos macios. Eu simplesmente gosto mais de acariciar cães de pelo longo do que cães de pelo curto. Ponto final.
c) Sem cheiro de cachorro. Eu não gosto de ficar cheirando à cachorro depois de acaraciá-lo, abraçá-lo, apertá-lo. Eu sou assim, o que posso fazer?
d) Obediente. Essa característica deveria ter sido a primeira a ser mencionada, pois essa é de fato a qualidade pela qual mais anseio encontrar em um cachorro. É tão frustrante tentar ensinar truques para a minha buldogue francês, pois é evidente que ela não nasceu para isso. Não quero ter que ter mais "paciência" e "persistência" ao inserir um novo cachorro em minha vida.
e) Bonito. Pois é. Não tenho muito o que dizer sobre, nem vou procurar me explicar ou me justificar. Eu conheço a mim mesma e sei que isso é importante para mim.
f) Leal. Queria um cachorro que não pedisse atenção para todos na rua.
f) Leal. Queria um cachorro que não pedisse atenção para todos na rua.
Pensando nessas características, eu voltei a pensar na raça Pastor de Shetland, que eu já havia pensando muito antes, mas que havia descartado por dois motivos:
a) Tendência a latir. Tem latidos altos e eu moro em apartamento com vizinhos exigentes. O jeito seria controlar isso e contar com a vontade que essa raça tem de agradar o dono e com a sua inteligência para atingir meu objetivo.
b) Muita sensibilidade. Como eu tenho criança pequena, que chorava muito, eu morria de medo do cachorro ficar medroso, tímido. Agora, com a minha filha um pouco maior, a casa ficou mais calma e o ambiente menos tenso. Ainda assim, porém, é uma casa com uma criança pequena.
Outra opção seria o whippet. Um cachorro não demandante, limpo, carinhoso, silencioso, mas que ocupa a 51ª posição no ranking de inteligência canina. Porém, a característica mais marcante de um sighthouse é sua independência, não se importando muito em agradar os donos, diferententemente do Sheltie.
Por fim, gostaria de pontuar que o fato de minha buldogue ter essas características não significa que todos terão. Tem uns sortudos que encontram buldogues que não destroem tanto ou que não comem cocô.
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