Essa tal felicidade...
Li o livro "Quando tudo não é o bastante", de Harold Kushner, com a avidez de quem pensou que, no final da leitura, iria encontrar uma resposta para o sentido da vida. Porém, o livro não apresenta fórmulas nem receitas de como exatamente conseguimos isso.
Kushner, na verdade, leva-nos primeiramente a questionar sobre os caminhos que a sociedade costuma apresentar para a felicidade ao desmontar a construção daquilo que comumente é apontado como necessário para ser feliz: o poder/sucesso, o conhecimento, o prazer e a obediência cega a regras de comportamento. Tendo como referência o livro de Eclesiastes, Harold Kushner leva-nos à reflexão de que nenhuma dessas coisas levam-nos de fato aonde todos queremos chegar: à felicidade, ao sentimento de paz interior e contentamento.
Kushner, na verdade, leva-nos primeiramente a questionar sobre os caminhos que a sociedade costuma apresentar para a felicidade ao desmontar a construção daquilo que comumente é apontado como necessário para ser feliz: o poder/sucesso, o conhecimento, o prazer e a obediência cega a regras de comportamento. Tendo como referência o livro de Eclesiastes, Harold Kushner leva-nos à reflexão de que nenhuma dessas coisas levam-nos de fato aonde todos queremos chegar: à felicidade, ao sentimento de paz interior e contentamento.
Kushner também tece reflexões sobre algumas questões que poderiam dificultar a sociedade moderna a ser feliz: o hábito de não enfrentar a dor, a constante culpa e medos incentivados por uma visão distorcida a respeito de quem é Deus são alguns exemplos. Segundo o autor do livro, a felicidade do ser humano reside basicamente em resgatar aquilo de humanidade que temos em nós, que seriam emoções, como alegria, raiva, amor, tristeza. Por essa razão, devemos aprender e aceitar o fato de que, quer queiramos ou não, sentir dor faz parte da vida. E quando estamos dispostas a encará-la de frente, em vez de fugir ou evitar, também estamos abrindo caminhos para sentir outras emoções como a alegria.
A felicidade estaria também relacionada a aprender a desfrutar cada momento de nossos vidas, com inteireza. Daí, a necessidade de sermos íntegros, pessoas que conseguem estar de corpo e alma em cada momento da vida de modo que uma vida de contentamento tem muito mais a ver com pequenos e frequentes momentos da rotina do que de grandes eventos, cuja alegria não dura mais que alguns dias.
Ser feliz estaria relacionado com sermos autênticos: agirmos de acordo com a nossa real identidade, que apesar da individualidade de cada um, leva sempre a um ponto em comum: refletir a imagem de Deus em nós, com atos de honestidade, generosidade e cooperação, por exemplo.
Só se pode viver feliz se a nossa vida tiver um significado. E, segundo Kushner, o significado da vida é vivê-la e extrair dela aquilo que há de melhor, sob pena de sermos pegos pelo medo de ter vivido uma vida sem sentido e de ter desperdiçado anos que não voltam mais. Se estivermos vivendo de tal modo que estejamos crescendo como seres humanos, provável que estaremos no caminho certo. Se o egoísmo estiver diminuindo, se estivermos compartilhando nossas vidas com pessoas a quem amamos, provavelmente descobrimos como se deve viver essa vida tão breve que Deus nos deu.
O trecho que mais me marcou na obra como um todo está não no último, mas no primeiro capítulo, que aqui reproduzo:
Você não se torna feliz perseguindo a felicidade. Ela é sempre um sub-produto, não um objetivo primário. É como uma borboleta - quanto mais você tenta cacá-la, mais ela foge e se esconde. Mas se parar a perseguição, guardar sua rede e se ocupar em coisas diferentes, mais produtivas que a caça à felicidade pessoal, ela virá por suas costas e pousará em seu ombro.
Resumindo e repetindo Ed Rene Kivtiz: a felicidade é mais um caminho a se percorrer do que um destino a se chegar. Ou, nas minhas palavras, a felicidade não é conquistada, é cultivada. É um modo de viver cultivado diariamente que nos conduz a um estado de espírito ou de alma a que chamamos felicidade.
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