Dietas da Vida

Há algum tempo, venho sentido a necessidade de saber COMO me alimentar corretamente. Eu não quero emagrecer. Desejaria mudar um pouco a minha composição corporal, reduzindo o percentual de gordura gorda e aumentando a massa muscular ou gordura magra. Também tenho um especial interesse em aumentar minha saúde e minha energia e em reduzir o processo de envelhecimento natural a partir da alimentação.

É uma ideia que me parece bastante factível. Eu realmente acredito que a minha alimentação hoje pode definir como estarei daqui há dez, cinco anos. Porém, não sei COMO fazer isso. E a saída mais recomendada é procurar um nutrólogo, que é um médico especializado em nutrição. Até que eu faça isso, tenho tido um enorme interesse em ler livros relacionados ao assunto. Comecei por estes:

- Mulheres Francesas não engordam, de Mireille Guiliano. Já falei sobre ele antes e, de fato, esse livro me ajudou a perder 5 ou 6kg de peso. É um livro bastante moderado e que traz regras simples do senso comum. Comecei pela dieta da sopa de alho-poró durante um final de semana.

- 4 horas para o Corpo, de Timothy Ferris, um empreendedor digital. Eu só li a amostra e não me senti muito tentada a comprar o livro mesmo que ele prometesse, nas páginas seguintes, a ensinar como ter um bumbum durinho. Simplesmente achei que o foco da dieta era ter um corpo sarado e apenas ter uma perfeita aparência não me motiva suficientemente para seguir uma dieta relativamente radical.

- Emagreça sem fome, de David Ludwig, um médico. Também só li a amostra. Achei as explicações bastante convincentes e o fato de ele ser PhD lhe deu mais respaldo em fazer certas afirmações, ao contrário de Timothy Ferris, a quem posso chamar de biohacker, uma terminologia moderna para denominar pessoas que mapeiam de que forma a alimentação afeta seus próprios organismos. Foi nesse livro em que li pela primeira vez sobre a importância dos probióticos e prebióticos na alimentação ou sobre como o microbioma (as milhões de bactérias que habitam o intestino) podem influenciar a nossa saúde de um modo geral. Apesar de eu estar ansiosa para saber de que forma suplementar a minha alimentação com tais elementos, decidi não comprar o livro porque meu foco não era exatamente emagrecer, mas manter-me mais saudável e com mais energia.

- A Dieta da Mente para a Vida, de David Perlmutter, um médico neurologista. Esse livro parecia ser a resposta aos meus anseios. Prometia a cura da ansiedade, da depressão e a prevenção de doenças neurológicas graves a partir da alimentação. Contém uma série de relatos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas a partir da dieta proposta no livro, a chamada cetogênica. Com esse forte apelo, não pensei duas vezes ao comprar o livro e o devorei em alguns dias, pronta a nunca mais colocar um pedaço de pizza ou pão na minha boca, por mais que os amasse. Ele havia me convencido de que o glúten era um grande inimigo da alimentação e provocava uma série de efeitos colaterais negativos no organismo. Adotei a dieta e percebi rapidamente algumas mudanças no meu corpo, como melhora do meu hálito ao acordar, porém um dia senti uma câimbra no dedo do pé e também voltei a menstruar mesmo tendo DIU do tipo Myrena. Associei tudo isso à alimentação e fiquei preocupada. Ao comentar sobre a dieta com meu marido, que é médico e cético, ele disse que o autor era um charlatão. Fiquei confusa e preocupada com o corte total dos carboidratos na alimentação.

Além disso, ele faz uma sugestão de rotina diária, que, sinceramente, é inexecutável para a maioria dos mortais. Não sobra tempo para compras no supermercado nem mesmo para o sexo - pelo menos foi isso o que pensei quando li esse trecho. Apesar de médico, sua primeira obra, Dieta da Mente, recebeu duras críticas, decorrentes, por exemplo, do PhD Alan Levinovitz, que disse que Perlmutter manipulou pesquisas para fazer afirmações irresponsáveis a respeito do glúten. No final, fica a pergunta: quem está querendo se promover?

- Bulletproof, a dieta à prova de bala, de Dave Asprey, um empreendedor da área de tecnologia, no Vale do Silício, Califórnia. Poxa... esse livro oferece uma proposta altamente tentadora. Os relatos das pessoas então vinham exatamente ao encontro de alguns problemas de saúde que venho apresentando nos últimos 10 ou 15 anos na minha vida. A resposta poderia estar ali: na minha alimentação. Eu estava bem empolgada pois a dieta parecia ser uma versão atenuada da cetogênica e, portanto, na minha cabeça, menos arriscada. Como a dieta proposta por Perlmutter, essa defende a substituição do consumo de carboidratos como fonte de energia para gorduras saudáveis, tais como abacate, óleo de coco extravirgem, azeite de oliva extravirgem, manteiga proveniente de gado alimentado em pastos, manteiga ghee e... bulletproff brain octane, um óleo à base de triglicerídios de cadeia média (TCM).

É isso mesmo que você leu. Muito da dieta tem em seu cardápio esse e outros produtos criados por Dave, o que torna, a meu ver, no mínimo suspeitas todas as informações contidas no livro. Então, são informações que devem ser lidas muito criticamente porque pressupõe objetivos lucrativos por parte do autor. Afora isso, Dave traz como o ponto mais alto de sua dieta o café à prova de bala ou o bulletproof coffee, que também está disponível para venda em seu site. Ele promete que seu café, testado em laboratório, é livre das tão temíveis micotoxinas, que, segundo ele, causariam problemas ao corpo humano, tais como inflamação. Essa informação não é de todo falsa, uma vez que alguns países, como o Brasil, já regulamentaram o nível máximo de micotoxinas que podem ser encontradas nos grãos de café. Além disso, ele traz algumas informações que fogem ao senso comum até mesmo de quem é adepto de uma vida mais saudável, tais como alho e cebola atrapalham na concentração e devem, portanto, ser evitados. A dieta dele também não inclui o homus, uma pasta de grão de bico, gergelim e alho, que parecia ser unânime em termos de saúde até então. Veja o que ele diz a esse respeito:

O grão-de-bico é uma leguminosa popular, é uma das que mais causam alergia, [17] quase que na mesma medida que o amendoim. As leguminosas são uma fonte de carboidratos razoavelmente pobres em nutrientes e contêm proteína de baixa qualidade, apresentando risco de inflamação e reações alérgicas. Dane-se o homus. Coma guacamole.

Asprey, Dave. Bulletproof: A Dieta à prova de bala (Locais do Kindle 3490-3491). Editora Rocco. Edição do Kindle. 

Entre os problemas de saúde aos quais me referi, que me acometeram nos últimos anos, cito: suor nas mãos, pés e axilas em situações de ansiedade, beirando a hiperhidrose, mononucleose, caseum (que me fizeram tirar as amígdalas), caspa oleosa, sono ruim, resfriados e gripes relativamente frequentes que redundavam em sinusites e me obrigavam a usar antibióticos.

E, o que é pior, uma intensa falta de energia para viver, mas não depressão. Eu tinha vontade de ser ativa, de trabalhar mais e me socializar melhor, mas me sentia cansada e sem energia, como se sofresse de alguma espécie de fadiga crônica. Tinha consciência de que era um estado de espírito ruim, em alguns dias melhor em outros pior, mas simplesmente havia me resignado a isso. Esse estado interno, inclusive, tem muito a ver com a necessidade que senti em tirar uma licença do meu trabalho a fim de conseguir fazer outras atividades em minha vida ao mesmo tempo que dava conta de ser mãe.

Além de livros específicos de dieta, também já li um outro que promete que, a partir de práticas de meditação, podemos ser menos ansiosos ou, pelo menos, 10% mais felizes: 10% mais feliz, de Dan Harris, jornalista.

Vou continuar na busca de uma alimentação saudável a fim de melhorar minha saúde geral e meus níveis de energia. Creio estar no caminho.

Keep walking.

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