Porque desisti de jornalismo

É verdade que desde que entrei para o curso de Jornalismo, na Universidade de Brasília (UnB), eu não me identifiquei muito. Os alunos pareciam mais descolados que eu e não gostavam muito de estudar... Os professores não eram lá exemplos a seguir. A cada semestre, a desmotivação com o curso aumentava e a sensação de não estar aprendendo a ser uma profissional também.

Até que, no quarto semestre, aconteceu algo que fez com que eu desistisse de vez do jornalismo, encarando-o como algo que não era para mim. Um certo professor de Técnicas de Jornalismo, conhecido jornalista na seara política, bom conhecedor de gramática e naturalmente antenado com os principais eventos do Brasil e do Mundo - algo que se espera de qualquer jornalista -, disse que, na minha sala, ele só via futuro em quatro alunos. Ele disse isso ou algo perto disso.

Para alguém que, àquela altura, não tinha sonho algum a perseguir, foi a gota d'água para me desencantar com o curso. Na minha cabeça, eu com certeza não estava entre esses quatro alunos e morria de medo de ter certeza disso. Era como se essa fala chancelasse o meu fim a qualquer pretensão na carreira profissional de jornalista. Resultado: encarei esse pronunciamento como uma prova de que não nascera para aquilo...

Eu tinha um mindset fixo. Se, na época, eu tivesse lido isso aqui, teria tido outra reação:

Muitas das pessoas mais realizadas de nossa época nunca foram consideradas sem futuro por entendidos. Jackson Pollock, Marcel Proust, Elvis Presley, Ray Charles, Lucille Ball e Charles Darwin, todos eram tidos como possuidores de pouco potencial em seus campos de atividade. E, em alguns desses casos, pode ser bem verdade que, no início, não tenham se destacado..

Mas o potencial não será a capacidade que a pessoa tem de desenvolver eficientemente sua aptidão por meio do esforço ao longo do tempo? E é justamente isso o que importa. Como podemos saber até onde o esforço e o tempo levarão alguém? Talvez os especialistas tivessem razão em relação a Jackson, Marcel, Elvis, Ray, Lucille e Charles, em termos de suas aptidões naquele momento. Talvez ainda não fossem as pessoas nas quais se transformariam.

(Mindset: a nova psicologia do sucesso. Carol S. Dweck. Objetiva: 1ª ed., 2017)

Por outro lado, uma das professoras mais profissionais do curso, de radiojornalismo, deixou claro que eu tinha futuro ali e ficou surpresa ao saber, por meio dos meus colegas, que eu pensava em desistir do curso e passar para biblioteconomia. Eu queria biblioteconomia ou eu queria fugir do jornalismo?

E agora me dou conta de como me deixo influenciar negativamente por comentários e até expressões faciais de pessoas, estranhas ou não, a ponto de desistir facilmente de ir em busca de algo ou de me comportar de determinada maneira na qual acredito. Ao contrário do que a maioria das pessoas costuma pensar, até mesmo para justificar a própria mediocridade, todas as pessoas bem-sucedidas enfrentaram desafios para alcançar o sucesso.

Mais do que nunca, está claro para mim que o determinante em nosso caminho não são os acontecimentos em si, sejam positivos ou negativos, mas a forma como reagimos a eles, o que se tem chamado de mentalidade ou, mais modernamente, mindset

Fracassar não precisa ser o fim. Pode ser o começo de tudo. Isso é uma outra forma de dizer que podemos aprender e crescer com os erros cometidos, sem ficar se lamentando por eles. É precisamente isso que Scott Adams abordou em seu livro "Como fracassar em quase tudo e ainda ser bem-sucedido". 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Miracle Morning #dayfive

Vou mudar a minha filha de escola

Essa tal felicidade...