Mediocridade: uma questão de escolha

Descobri um blog maravilhoso chamado Geração de Valor. Ele é escrito pelo bilionário Flávio Augusto e adivinhem com quem descobri esse cara? Ele, Fernando Mesquita. Gente... esse Flávio Augusto fala tanta coisa que já passou pela minha cabeça, mas que eu achava que estava viajando na batatinha... Um dos assuntos preferidos é sobre a mediocridade. Ele defende que as pessoas são medíocres por opção.  Também considera a inteligência emocional mais importante que a técnica ou o conhecimento. Olha um trecho do artigo "O que realmente vai levar você mais longe":
Suas emoções, como você reage aos desafios diários, aos percalços, às situações inesperadas, como você interage com diferentes perfis de pessoas, se você é resiliente ou cai em profunda autopiedade, se você supera rapidamente uma frustração ou cai no vitimismo, tudo isso fará total diferença em seus resultados, interferindo diretamente em quão longe você será capaz de chegar.
Percebi que nos últimos 10 anos de minha vida, comecei a reclamar mais e a agradecer menos. Tornei-me bastante acomodada, passiva diante da vida e colocando a culpa em todos pelos meus problemas, sem me responsabilizar por nenhum deles. Imatura. Coisa que começou a mudar depois do nascimento da minha filha:
Estou prestes a completar 30 anos. E nunca me senti tão bem em minha vida. Sinto-me bem na minha própria pele. Não, não se deve a algumas conquistas em minha vida, percebidas externamente. Refiro-me a mudanças dentro de mim. Conheço-me mais, compreendo mais as minhas potencialidades e as minhas limitações. Ainda continuo aprendendo muito. A me vestir, a me alimentar e até a respirar melhor graças à prática da meditação. Desejaria estar enganada, mas tenho percebido que quanto mais velhos ficamos, mais difícil é fazer novas e verdadeiras amizades. Estou aprendendo que mais importante que chegar ao destino final é percorrer o caminho para se chegar lá. E que quase na totalidade das vezes percorrer esse caminho é difícil. Estou aprendendo a ser a protagonista da minha vida, não mais coadjuvante ou, pior, telespectadora da vida alheia. Aceito o fato de que não estou livre de maus dias. Continuo tendo preocupações e tristezas, pois entendo que são inerentes à condição humana. Continuo acreditando em Deus, embora tenha me desiludido com a religião. Finalmente estou aprendendo a me livrar do peso de tentar ser ou parecer perfeita. Em vez da perfeição, tenho buscado o equilíbrio.
30 anos

Eu já tinha timidamente falado aqui no blog sobre alguns aspectos que o Flávio Augusto trata de forma ostensiva em seu canal:

Quando você estiver fazendo algo em que acredita, seja educar um filho de determinada maneira, seja se mudar de endereço, seja parar de trabalhar e estudar para um concurso, esteja certo de que poderão haver pessoas do seu círculo mais íntimo, como familiares e amigos, que dirão que você está errado. Esteja aberto às críticas para refletir sobre suas decisões. Mas, caso após ter refletido você chegue à conclusão de que acredita que o que está fazendo seja realmente o melhor para você, mantenha-se firme e siga em frente. Tomar decisões por sua própria conta e risco é um sinal de maturidade.
Além disso, você deve viver a sua vida pelo o que você acredita e não por aquilo que os outros, inclusive seus pais ou seu marido, acham que é o melhor para você. Viva a sua vida em vez de tentar viver como os outros gostariam que ela fosse vivida. Você será mais feliz se for fiel a si mesmo.
Talvez para seu pai o melhor para você signifique uma vida livre de sofrimentos, mas medíocre em termos de realização profissional e totalmente acomodada por puro medo de tomar qualquer decisão minimamente arriscada. Seu pai, pelo sim e pelo não, sempre opta pelo não. Mas essa atitude às vezes medrosa outras vezes extremamente conservadora diante da vida é a responsável por deixá-la medíocre. E isso também é sofrimento, porque leva à frustração e ao comodismo.
Viver é também errar. É voltar atrás. É mudar de ideia. De opinião. É tentar, experimentar. Viver não é sempre ter que ganhar nem sempre ter que estar certo.
(Viver a vida sob nossa própria conta e risco)

De uma coisa eu não tenho dúvida: uma das habilidades mais importantes que um ser humano deve adquirir para ser emocionalmente saudável e equilibrado e socialmente competente é ter o controle emocional de si mesmo.
Tal competência é comumente associada à inteligência emocional e tem sido descrita como uma das mais importantes habilidades do profissional moderno. Dentro ou fora da seara profissional, a habilidade é importantíssima. Saber lidar de maneira adequada, sem reprimir nem se deixar dominar, com sentimentos humanos como ciúmes, inveja, frustração, ansiedade e, principalmente, a raiva é estar acima da média.
Pois bem. Nessa minha tarefa de mãe, percebo que minha filha de quase 4 anos (dá para acreditar nisso?) precisa de muitas lições e exemplos práticos de como controlar esses sentimentos. E aí eu vejo que nem eu mesma sei lidar com eles nem nunca soube.
Na verdade, passei a fazer uma retrospectiva da minha vida e percebi uma falta de controle sobre diversos sentimentos, especialmente frustração (que me levava a desistir rapidamente), ansiedade (que me tornava menos espontânea nas interações sociais e deixava meu desempenho em provas muito aquém) e a raiva (que eventualmente me levava a alguns acessos, em que eu gritava).
O dia-a-dia como mãe me trouxe diversos desafios especialmente no sentido de controlar minhas emoções. Tenho percebido que quanto mais controlo minhas emoções, mais eu amadureço. Falo de maturidade emocional. Pois é bem aí, quando eu consigo me distanciar emocionalmente das situações de tensão que vivencio com minha filha, que me sinto madura e capaz de perceber que a criança é ela, não eu.
Sobre (des)controle emocional

Algo que percebi é que se restringir ao que a faculdade oferece é muito limitante e está muito aquém do que nós precisamos para passar em concurso. Os professores não dão toda a matéria, às vezes a explicam de maneira desinteressante ou, pior, desatualizada ou equivocada. Já me deparei com todas essas situações na faculdade.
Também demorei a perceber que é preciso ter AUTONOMIA também nos estudos. Não precisamos depender da indicação de livros do professor ou esperar ele dar o conteúdo em sala para só então começar a estudar. Isso é um erro, nós perdemos tempo. O ideal é usar as aulas para revisar, reforçar ou esclarecer pontos já estudados. Isso sim é um estudo de qualidade e produtivo. Para isso, sinceramente, é melhor ignorar que 90% dos alunos são desinteressados e passam a maior parte do tempo conversando ou no celular. Tente mudar o foco e não desperdiçar sua energia pessoal com essa infelicidade.
Também passei a utilizar recentemente uma fonte de estudo que faz toda a diferença para aprender o Direito na vida real e, ao mesmo tempo, estar atualizado com a jurisprudência do STF e STJ. Trata-se do site Dizer o Direito, escrito pelo juiz federal Márcio André Lopes Cavalcante. (...)O tipo de informação do site Dizer o Direito é mais útil do que a maioria das coisas que ouço em sala de aula, que parece um monte de conteúdo ultrapassado e sem vínculo nenhum com a realidade. Mesmo que um professor advogado vincule o conteúdo a uma causa na qual trabalhou, isso não necessariamente nos ensina algo.
Priorizar faculdade ou concurso?

O Curso de Direito não vai me ensinar a ser uma líder nem a desenvolver competência socioafetiva nem a lidar com a minha ansiedade ou a minha insegurança. Ele vai me trazer conhecimento. Mas a verdade é que um bom profissional está muito além do conhecimento que detém...
Outro aspecto que ficou claro: quando eu trabalhava, eu reclamava e era irritada e nervosa. Sentia-me frustrada por trabalhar com algo banal como numerar processos e intimar o autor para a réplica. O ambiente do meu trabalho fazia-me mais mal do que bem em termos de convívio social.
Por outro lado, agora que estou de licença, continuo reclamando, irritada e nervosa. Sinto-me frustrada por não estar ganhando meu próprio dinheiro e ter com isso uma liberdade e autonomia maior, por não estar sendo útil por meio de um trabalho remunerado, por ter pouco contato social.
Isso quer dizer que o problema não está nas minhas circunstâncias somente, mas está sobretudo dentro de mim, o que tem me obrigado a fazer uma viagem dentro de mim mesma. Aquilo que chamam de autoconhecimento.
Divagações

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