Viver a vida sob nossa própria conta e risco

* escrito originalmente em agosto de 2015

Quando você estiver fazendo algo em que acredita, seja educar um filho de determinada maneira, seja se mudar de endereço, seja parar de trabalhar e estudar para um concurso, esteja certo de que poderão haver pessoas do seu círculo mais íntimo, como familiares e amigos, que dirão que você está errado. Esteja aberto às críticas para refletir sobre suas decisões. Mas, caso após ter refletido você chegue à conclusão de que acredita que o que está fazendo seja realmente o melhor para você, mantenha-se firme e siga em frente. Tomar decisões por sua própria conta e risco é um sinal de maturidade.

Além disso, você deve viver a sua vida pelo o que você acredita e não por aquilo que os outros, inclusive seus pais ou seu marido, acham que é o melhor para você. Viva a sua vida em vez de tentar viver como os outros gostariam que ela fosse vivida. Você será mais feliz se for fiel a si mesmo.

O problema é que, quando jovem, talvez você tenha dificuldades em descobrir o que quer da vida e, até que isso aconteça, recomendo que ouça a opinião daqueles que mais amam você. Eles querem seu melhor.

Talvez para seu pai o melhor para você signifique uma vida livre de sofrimentos, mas medíocre em termos de realização profissional e totalmente acomodada por puro medo de tomar qualquer decisão minimamente arriscada. Seu pai, pelo sim e pelo não, sempre opta pelo não. Mas essa atitude às vezes medrosa outras vezes extremamente conservadora diante da vida é a responsável por deixá-la medíocre. E isso também é sofrimento, porque leva à frustração e ao comodismo.

Viver é também errar. É voltar atrás. É mudar de ideia. De opinião. É tentar, experimentar. Viver não é sempre ter que ganhar nem sempre ter que estar certo. 

Talvez para o seu marido o melhor para você signifique um salário de R$ x reais, mas talvez à custa de sua ausência como mãe. Sem tempo para estar junto, para orientar, para moldar o caráter, e sem cabeça para estar atenta ou para ser paciente, você certamente deixará escapar uma das missões mais nobres que recebeu em vida, que é educar um filho. E isso, por certo, é sofrimento maior ainda, que talvez você só vá descobrir bem mais tarde, quando for tarde demais.

Você certamente perderá a chance de conhecer melhor seu filho e de aprender a se curtirem juntos. Você desperdiçará a oportunidade de aprender a ser uma mãe melhor, o que só se aprende no batente diário e perseverante. Não seja mãe apenas porque gerou um filho. Seja mãe porque cuidou e formou um cidadão ou cidadã de bem.


Se seu pai não lhe permite fazer as suas próprias escolhas, talvez esteja na hora de ganhar seu próprio dinheiro e começar a morar sozinho. Se seu marido não deixa você seguir seu coração e quer lhe impor a vontade dele, talvez seja melhor você repensar seu casamento.

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