Ansiedade
Uma coisa leva à outra. As minhas dúvidas relacionadas ao curso de Direito me levaram a encontrar, em uma pesquisa no Google, o Diário de um Estudante de Direito, que, sendo acompanhado por algum tempo, me levou a conhecer o blog do Fernando Mesquita. Após ler e ver inúmeros vídeos, assisti ao periscope sobre Ansiedade, que me apresentou o livro "Dominando a Ansiedade para Leigos", que estou lendo agora. É a primeira vez que falo sobre ansiedade no blog dessa maneira e hoje ganhamos mais um marcador: ansiedade.
A minha relação com a ansiedade antes desse periscope e do livro não era exata. Eu não me considerava uma pessoa ansiosa, mas que tinha ansiedade apenas em alguns momentos. Fui percebendo a ansiedade em algumas situações, como antes de determinados eventos sociais, na iminência de fazer uma apresentação em sala de aula, além de reparar em alguns sintomas físicos, como a sudorese excessiva. Há algum tempo venho também sentindo tontura e percebo como esse sintoma físico está associado a situações em que se instala uma ansiedade generalizada.
Também tenho notado que sinto muita tensão muscular quando estou ansiosa, especialmente no pescoço, parte superior das costas e panturrilhas, para o quê o relaxamento muscular progressivo é uma técnica muito recomendada. Também, fazendo uma retrospectiva, percebi que sofro de ansiedade desde a adolescência, mais especialmente a partir dos 15 anos, e jamais fui diagnosticada muito menos tratada. Meus pais não estavam atentos a isso. E eu não sabia porque eu me sentia daquela maneira. Eu sabia que havia algo de errado comigo, mas eu preferia, durante a maior parte do tempo, não pensar sobre isso.
E assim eu fui literalmente levando a vida, com medo de assumir riscos, ficando dependente do meu marido, esquivando-me socialmente, acomodando-me profissionalmente. Fui murchando. E isso não era culpa do meu marido. Afinal, vamos parar com esse discurso de vítima de uma vez por todas?
Meu pico de ansiedade aconteceu quando eu estava recém-separada do meu marido e com um bebê quase recém-nascido para cuidar sem apoio emocional nenhum em casa. Passei dias sozinha, sendo assessorada por uma empregada radical religiosa, que eu não conhecia, e que começava a entoar hinos de louvor quando a minha filha chorava. Essa realidade era, no mínimo, suicídio, não?
Nem sei como superei tudo isso, mas se existe um Deus, foi Ele que me ajudou a não surtar. Nessa época, mesmo exausta, emocional e fisicamente, eu não conseguia dormir direito e, quando dormia, acordava assustada e totalmente molhada de suor, tentando assimilar a minha nova realidade de vida, que eu queria tanto que fosse apenas um pesadelo. Onde estava a minha família???
Mesmo assim, não entreguei os pontos. Eu fui até a minha família... mesmo sentindo que incomodava. Era isso ou nada. Eu tinha tudo para entrar em desespero, mas um senso de responsabilidade com minha filha me levou a ter um certo domínio da situação.
Mais ou menos um ano depois que isso aconteceu, em que eu estava morando em um novo apartamento, com a vida mais ou menos estabilizada, passei a ter as melhores noites de sono da minha vida, como eu não tinha há anos.... Não havia nada melhor! Eu ia dormir 21h e acordava só no dia seguinte, plenamente recarregada. Sentia-me mais feliz, minha pele estava mais bonita, eu me sentia disposta, não adoecia. Na época, fiz o diagnóstico de que aquela paz e tranquilidade se devia ao fato de que eu não estava mais em um relacionamento que me oprimia. Mas hoje vejo que eu não estava ansiosa e isso não precisa ter necessariamente a ver com eu estar casada.
Comecei a fazer uma terapia psicanalítica, que me ajudou sob vários aspectos, inclusive foi determinante para eu me reconciliar com meu marido. Porém, ir à psicóloga me deixava ainda mais ansiosa e falar sobre possíveis traumas do passado fazia eu passar dias pensando sobre os meus problemas... Eu brincava dizendo que eu precisava ir para a psicóloga só para aguentar fazer aquela terapia.
Mesmo com os incômodos, eu queria tentar, enfrentar... Por isso, continuei indo. Eu era beneficiada com uma séria de novas perspectivas sobre como analisar os acontecimentos da minha vida (o que se assemelha à terapia cognitiva), em dicas sobre como educar minha filha (parecendo-se com terapia comportamental), mas eu não vou negar que a abordagem psicanalítica propriamente dita me assustava às vezes e dava um nó na minha cabeça.
Fora a sensação de que eu estou sempre errada e de que a terapeuta sempre quer me mudar. O exemplo mais emblemático disso diz respeito ao meu certo apego à rotinas e à organização. Em mim, ela via essa característica com certa ressalva, fazendo-me duvidar se isso era realmente bom para mim. Rotinas e organização me deixam menos ansiosa e mais produtiva, apenas isso. Não era nada neurótico. Mas daí passei a evitar me organizar e a ter uma vida mais "desprendida". Resultado? Um dia caótico e pouco produtivo, literalmente deixando a vida me levar.
No momento, estou reavaliando se vale à pena continuar fazendo terapia. Além de ser uma grana, estou investindo agora em natação para a minha filha, academia para mim e estou delegando mais tarefas domésticas, uma vez que tenho agora faxineira mais uma vez na semana. Tudo isso envolve mais gastos. Realmente estou organizando a minha vida no sentido de dar conta de priorizar aquilo que é prioritário.
Finalmente - e essa era a razão inicial do post, ter tomado a decisão de me "profissionalizar" no estudo para concursos públicos, que nada mais é do que levar os estudos a sério, não fechar os olhos para técnicas de estudo e se tornar um candidato competitivo, e efetivamente ter começado a entrar em ação para isso, tem me feito estar em um estado ansioso. Não tenho dormido bem, tenho suado muito, tenho tido dificuldades de viver o presente e de me concentrar, sinto dor de cabeça tensional, tonturas, meu sistema imunológico se enfraqueceu, sendo que em um mês eu tive sinusite e, agora, infecção urinária, coisa que tive uma única vez na vida, quando minha filha estava prestes a nascer.
Além disso, quando decidi me focar nos estudos, acabei deixando outros aspectos igualmente prioritários um pouco de lado: 1) exercícios físicos, 2) alimentação saudável, 3) tempo de qualidade com minha filha e 4) sono em dia.
Com isso em mente, sei onde deve atuar: no combate à ansiedade. E nada de ficar tarde da noite estudando. Quero estar 22h na cama todo dia. Também pretendo fazer 5 min de respiração abdominal todo dia, o que promove relaxamento. Quanto ao tempo de qualidade com minha filha, para me culpar menos, preciso planejar esses momentos.
A minha relação com a ansiedade antes desse periscope e do livro não era exata. Eu não me considerava uma pessoa ansiosa, mas que tinha ansiedade apenas em alguns momentos. Fui percebendo a ansiedade em algumas situações, como antes de determinados eventos sociais, na iminência de fazer uma apresentação em sala de aula, além de reparar em alguns sintomas físicos, como a sudorese excessiva. Há algum tempo venho também sentindo tontura e percebo como esse sintoma físico está associado a situações em que se instala uma ansiedade generalizada.
Também tenho notado que sinto muita tensão muscular quando estou ansiosa, especialmente no pescoço, parte superior das costas e panturrilhas, para o quê o relaxamento muscular progressivo é uma técnica muito recomendada. Também, fazendo uma retrospectiva, percebi que sofro de ansiedade desde a adolescência, mais especialmente a partir dos 15 anos, e jamais fui diagnosticada muito menos tratada. Meus pais não estavam atentos a isso. E eu não sabia porque eu me sentia daquela maneira. Eu sabia que havia algo de errado comigo, mas eu preferia, durante a maior parte do tempo, não pensar sobre isso.
E assim eu fui literalmente levando a vida, com medo de assumir riscos, ficando dependente do meu marido, esquivando-me socialmente, acomodando-me profissionalmente. Fui murchando. E isso não era culpa do meu marido. Afinal, vamos parar com esse discurso de vítima de uma vez por todas?
Meu pico de ansiedade aconteceu quando eu estava recém-separada do meu marido e com um bebê quase recém-nascido para cuidar sem apoio emocional nenhum em casa. Passei dias sozinha, sendo assessorada por uma empregada radical religiosa, que eu não conhecia, e que começava a entoar hinos de louvor quando a minha filha chorava. Essa realidade era, no mínimo, suicídio, não?
Nem sei como superei tudo isso, mas se existe um Deus, foi Ele que me ajudou a não surtar. Nessa época, mesmo exausta, emocional e fisicamente, eu não conseguia dormir direito e, quando dormia, acordava assustada e totalmente molhada de suor, tentando assimilar a minha nova realidade de vida, que eu queria tanto que fosse apenas um pesadelo. Onde estava a minha família???
Mesmo assim, não entreguei os pontos. Eu fui até a minha família... mesmo sentindo que incomodava. Era isso ou nada. Eu tinha tudo para entrar em desespero, mas um senso de responsabilidade com minha filha me levou a ter um certo domínio da situação.
Mais ou menos um ano depois que isso aconteceu, em que eu estava morando em um novo apartamento, com a vida mais ou menos estabilizada, passei a ter as melhores noites de sono da minha vida, como eu não tinha há anos.... Não havia nada melhor! Eu ia dormir 21h e acordava só no dia seguinte, plenamente recarregada. Sentia-me mais feliz, minha pele estava mais bonita, eu me sentia disposta, não adoecia. Na época, fiz o diagnóstico de que aquela paz e tranquilidade se devia ao fato de que eu não estava mais em um relacionamento que me oprimia. Mas hoje vejo que eu não estava ansiosa e isso não precisa ter necessariamente a ver com eu estar casada.
Comecei a fazer uma terapia psicanalítica, que me ajudou sob vários aspectos, inclusive foi determinante para eu me reconciliar com meu marido. Porém, ir à psicóloga me deixava ainda mais ansiosa e falar sobre possíveis traumas do passado fazia eu passar dias pensando sobre os meus problemas... Eu brincava dizendo que eu precisava ir para a psicóloga só para aguentar fazer aquela terapia.
Mesmo com os incômodos, eu queria tentar, enfrentar... Por isso, continuei indo. Eu era beneficiada com uma séria de novas perspectivas sobre como analisar os acontecimentos da minha vida (o que se assemelha à terapia cognitiva), em dicas sobre como educar minha filha (parecendo-se com terapia comportamental), mas eu não vou negar que a abordagem psicanalítica propriamente dita me assustava às vezes e dava um nó na minha cabeça.
Fora a sensação de que eu estou sempre errada e de que a terapeuta sempre quer me mudar. O exemplo mais emblemático disso diz respeito ao meu certo apego à rotinas e à organização. Em mim, ela via essa característica com certa ressalva, fazendo-me duvidar se isso era realmente bom para mim. Rotinas e organização me deixam menos ansiosa e mais produtiva, apenas isso. Não era nada neurótico. Mas daí passei a evitar me organizar e a ter uma vida mais "desprendida". Resultado? Um dia caótico e pouco produtivo, literalmente deixando a vida me levar.
No momento, estou reavaliando se vale à pena continuar fazendo terapia. Além de ser uma grana, estou investindo agora em natação para a minha filha, academia para mim e estou delegando mais tarefas domésticas, uma vez que tenho agora faxineira mais uma vez na semana. Tudo isso envolve mais gastos. Realmente estou organizando a minha vida no sentido de dar conta de priorizar aquilo que é prioritário.
Finalmente - e essa era a razão inicial do post, ter tomado a decisão de me "profissionalizar" no estudo para concursos públicos, que nada mais é do que levar os estudos a sério, não fechar os olhos para técnicas de estudo e se tornar um candidato competitivo, e efetivamente ter começado a entrar em ação para isso, tem me feito estar em um estado ansioso. Não tenho dormido bem, tenho suado muito, tenho tido dificuldades de viver o presente e de me concentrar, sinto dor de cabeça tensional, tonturas, meu sistema imunológico se enfraqueceu, sendo que em um mês eu tive sinusite e, agora, infecção urinária, coisa que tive uma única vez na vida, quando minha filha estava prestes a nascer.
Além disso, quando decidi me focar nos estudos, acabei deixando outros aspectos igualmente prioritários um pouco de lado: 1) exercícios físicos, 2) alimentação saudável, 3) tempo de qualidade com minha filha e 4) sono em dia.
Com isso em mente, sei onde deve atuar: no combate à ansiedade. E nada de ficar tarde da noite estudando. Quero estar 22h na cama todo dia. Também pretendo fazer 5 min de respiração abdominal todo dia, o que promove relaxamento. Quanto ao tempo de qualidade com minha filha, para me culpar menos, preciso planejar esses momentos.
Just do it.
Comentários
Postar um comentário