A vida é feita sob pilares

Em um dos excelentes livros de Mirelle Giulianno, li que a vida da mulher é feita sob pilares: a carreira, a família, os amigos... Isso significa que, para estarmos realmente bem, com equilíbrio, precisamos ter vários alicerces em nossa vida.

E trago essa lição para a maternidade. Eu vinha cultivando uma (falsa) crença de que ser uma boa mãe significaria tornar o nosso filho o centro do nosso mundo. Embora nosso filho realmente vire a nossa vida de cabeça para baixo, isso não significa que nada mais importa além deles. Sério!

Claro, precisamos conciliar e saber priorizar cada um desses pilares. Mas renunciar um em favor dos outros não parece ser adequado, pelo menos não permanentemente.

Exceto quando minha estava na escolinha, eu me sentia culpada toda vez que deixava minha filha de lado para fazer outra coisa que não fosse olhar para ela. Fazer as unhas, fazer escova, fazer uma caminhada, fazer academia, ler um livro, estudar, entre outros... E a minha filha estava totalmente acostumada à essa realidade de eu não olhar para nada nem ninguém além dela...

Minha filha foi percebendo que ela era tudo para mim, a pessoa mais importante da minha vida... e que eu morria de medo que ela não gostasse de mim. Também tinha medo de ser uma mãe ruim, de falhar na educação dela, de errar, fracassar nesse "projeto mãe". Ela foi percebendo essa INSEGURANÇA toda minha, a minha falta de firmeza e, ao mesmo tempo, grosseria ao tentar ser mais dura... essa confusão, essa lambança... e foi dominando a situação.

Mas... isso vai mudar. Está mudando. A minha filha está crescendo. Eu estou conseguindo me livrar dessa culpa, estou tendo mais apoio do meu marido na educação dela e estou percebendo que fazer a minha vida girar única e exclusivamente em torno da educação da minha filha não me faz feliz. Fica cansativo e eu fico ansiosa.

É tão bom me voltar para outras coisas também importantes em minha vida além dela. E o mais importante: isso é bom para mim E PARA ELA.

Ficamos 9 dias fora de casa, sendo 6 deles na praia e 3 na casa de parentes do meu marido. Foi ótimo esse tempo intenso juntos. Não foi perfeito, tivemos nossos desentendimentos, momentos de tédio e irritação, mas, no final, nos entendemos, nos conhecemos mais e o nosso vínculo se intensificou. Desses dias, colhemos alguns momentos realmente maravilhosos em família.

Gostei da família do meu marido não ficar paparicando demais minha filha como se ela fosse a quintessência do mundo, quando, na verdade, há muito a ser trabalhado na educação dela. Eu sempre temi os comentários das pessoas, inclusive da família do meu marido, em relação a mim. Sou o retrato da insegurança e da baixa auto-estima, que minha mãe conseguiu perfeitamente bem transferir para mim.

E, claro, morria de medo de olharem para a minha filha e verem como ela é... mal-educada, birrenta... ou qualquer coisa negativa. Eu tenho certeza que a família dele, assim como as mães de coleguinhas da minha filha, assim como... qualquer outra pessoa vai tecer algum comentário negativo a respeito de mim, como mãe, a respeito da minha filha... Só que eu estou aprendendo que esses comentários negativos SEMPRE VÃO EXISTIR por mais que eu me esforce para que eles só façam comentários bons a meu respeito ou de como a minha filha é linda, maravilhosa, educada, doce, meiga, fofa...

Eu preciso parar de me preocupar em agradar os outros e a começar a viver a minha vida. URGENTE!!!

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