Estudos X Maternidade II

Eu já havia escrito sobre os meus dilemas, como mãe que deseja fazer uma boa faculdade (estudar para aprender, não para passar) e se preparar para um concurso público. E a partir de trechos retirados de lá, que começo o post de hoje.

Eu não vou abrir mão de passar mais tempo com minha filha para estudar feito louca para concurso. Não agora que ela está com essa idade. Embora eu realmente deseje muito um concurso melhor, na área de minha futura formação, a minha prioridade realmente é, como mãe, acompanhar, orientar e educar minha filha e isso necessariamente envolve mais tempo de qualidade juntas. Não tempo de eu lavando a louça e ela assistindo televisão. Mas tempo para diálogos, comunicação, brincadeiras, tempo para olhá-la atentamente, para estar disponível para ela, preparar uma refeição gostosa, dar um banho demorado. 
Porém, graças à Licença, me é possível sim começar o caminho da preparação desde já, ainda que a passos lentos. O que me é possível é manter a constância, a regularidade. Não computarei muitas horas líquidas de estudo diárias, é verdade, mas já estarei fazendo minha parte. E conforme minha filha for crescendo e eu conseguir me formar na faculdade, o cenário será outro certamente.

Mantenho tudo o que havia dito anteriormente. E isso já faz uma gestação, vale dizer, 9 meses. De fato, estou licenciada, mas, antes da faculdade e dos concursos, está minha filha. E ter essa PRIORIDADE clara em minha mente é fundamental para eu saber onde devo concentrar meus esforços, meu tempo, minha atenção.

Há uma terceira prioridade que existe eventualmente na minha vida, mas que constantemente me enche de preocupações: a minha mãe, que está com a saúde bastante debilitada. Constantemente, ela aciona a mim e a minha irmã (que está grávida) para apagar incêndios relacionados à saúde dela. Ela está sofrendo as conseqüências de uma pessoa que não cuidou da própria saúde ao longo da vida.

De fato, colocar a minha filha na nova escola, com os novos horários e demandas, foi um desafio para mim maior do que eu imaginava. E o principal deles eu diria que é arrumar algo para ela jantar todo santo dia. Além de estar me desgastando mais com atividades domésticas e mesmo com novos cuidados com a minha filha, que eu resolvi ter, também decidi a ter um ritmo de estudos mais intenso, porém dentro de um limite aceitável, claro.

O resultado disso é que, nessa última semana, eu fiquei bastante sobrecarregada com cinco dias de provas, cinco trabalhos para entregar, além de todas as minhas obrigações normais. Nessa mesma semana, minha mãe pediu requisitou minha companhia em um exame sério que ela realizaria no hospital. E acabei ficando doente e, depois, minha filha, que não foi para a escola um dia e meio. Estou tomando antibiótico para curar uma sinusite decorrente de um simples resfriado.

Eu já havia contratado os serviços de lanche da escola e me livrado desse encargo. Foi um grande alívio e me liberou um pouco. Porém, como eu estava intensificando o ritmo dos estudos, a última coisa que eu queria quando eu chegasse em casa, depois de buscar minha filha na escola, era me envolver em trabalhos domésticos.

Francamente.  Parei um pouco para olhar ao meu redor, para olhar o tipo de gente que morava onde eu moro ou o tipo de mãe dos amiguinhos da sala da minha filha e todas tem uma pessoa para fazer comida ou limpar a casa todos os dias ou 3x por semana e, muitas vezes, contam também com babás. E eu lá querendo estar no salto, com o sono e o estudo em dia e ainda querendo ser uma boa mãe? Sério, para mim, isso era demais! E eu devo aprender a respeitar meus limites.

Hoje finalmente chamei mais uma diarista para vir em minha casa, desse modo terei a casa limpa 3x na semana, a contragosto do meu marido, claro. O que esse homem ainda não entendeu é que essa diarista está vindo aqui para:
1º) limpar e organizar a casa;
2º) lavar louças;
3º) lavar roupas;
4º) limpar a caixa de areia do gato;
5º) e, de quebra, FAZER COMIDA PARA O JANTAR DA NOSSA FILHA NA SEGUNDA E NA TERÇA, NÃO PARA EU ALMOÇAR EM CASA NA SEGUNDA E NA TERÇA.

Finalmente, para concluir esse novo direcionamento que estou tomando em minha vida no que tange aos estudos:

- parei de assistir videoaulas: é um estudo passivo;
- passei a fazer muitas questões da banca do concurso pretendido;
- também passei a estudar construindo mapas mentais: é um estudo ativo, que permite a revisão;
- passei a utilizar o aplicativo "Anki" como base de revisão de conteúdo;
- quero fazer um ciclo de estudos para estudar para a faculdade, mas que sirva também como uma boa base de preparação para concurso. Para isso, pensei em montar um ciclo que abranja somente disciplinas vistas na faculdade.
- passei a fazer compras no supermercado, unha e academia fora do horário em que minha filha está na escola, tentando concentrar o máximo possível desse meu tempo livre para os estudos. Compras fazemos juntas, unha fazemos juntas e eu faço academia enquanto ela está na natação (Mais gastos financeiras com essas medidas); - comprei os cursos online "Foco" e "Como Aprender Mais Rápido" da Arata Academy (descobri o Seiiti Arata pelo blog do Diário de um Estudante de Direito);
- tenho acompanhado a jurisprudência do STF e do STJ, tema que é decisivo nas provas atuais, por meio do site  Dizer Direito (indicação do Diário de um Estudante de Direito);
- descobri também por uma indicação do "Diário de um Estudante de Direito" o Fernando Mesquita, tanto o seu blog quanto o seu canal no YouTube, que traz dicas excelentes sobre como passar em concursos públicos.

Lá na escola da minha filha, tem uma mãe que eu percebi claramente que não trabalha. Ela parece estar muito bem. O marido é muito rico, ela tem um carrão, só tem uma filha, está sempre impecável, cabelo alinhado, roupas sempre novas e alinhadas, filha impecável. Claro que ela é bonita.

Por um tempo, eu pensava que sorte era a dela ter essa tranquilidade para se cuidar e não ter preocupação com estudos ou trabalho. Mas depois eu percebi que eu tenho essa vontade em mim de conquistar algo fruto do meu exclusivo esforço. Eu não quero ter coisas em função do meu marido, até porque eu não sei se seremos casados para sempre. E essa ficha caiu mesmo quando, de fato, ficamos separados por um ano, em que eu vi que eu não tinha onde cair morta ganhando o que eu ganhava.

É isso! Vamos que vamos! A vida não tá fácil, mas eu não vou ficar parada assistindo. Que Deus me ajude, dando muita paciência com minha filha, meu marido e saúde para a minha mãe!

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