Avanços

Muita coisa mudou do início do ano para cá. Para começar, o meu relacionamento com a minha filha melhorou bastante e isso se deve, sobretudo, a mudanças em mim. Ainda piso na bola, falho, mas tenho percebido mais meu comportamento e tenho estado mais atenta a minha filha, olhando-a mais, com uma postura mais madura e materna, e tenho tido respostas positivas dela.

Outro motivo dessa melhoria com certeza é minha mudança de postura com meu pai e a esposa dele, o que me fez um bem enorme. A esposa dele não desempenhava o papel de avó e queria assumir sempre o papel de mãe. Só que eu era a mãe chata, que dava limites e dizia "nãos" e ela era a mãe boa , que mimava e não dava limites. Então, criava-se um clima de tensão muito grande quando eu me encontrava com eles.

A esposa do meu pai, na verdade, consciente ou inconscientemente, aproveitou-se da minha insegurança como mãe, da minha fragilidade emocional logo após a minha separação conjugal (depois de um ano nós reatamos), do meu desejo de querer o olhar do meu pai sobre mim e sobre a minha filha, para tomar um espaço que não pertence a ela: o de mãe. Mas consegui discernir a situação, posicionar-me, afastar-me e, de uma certa forma, resgatar um relacionamento com a minha filha, que eu permitia que ela sempre atrapalhasse. Para entender melhor essa confusão de família, leia aqui.

Na verdade, estou conseguindo encarar com mais leveza a própria maternidade e isso envolve, necessariamente, aceitar com menos culpa que eu vou falhar nessa tarefa por mais perfeita que eu deseje ser. Eu também me aprisionava a uma exigência de perfeição que a própria esposa do meu pai, QUE NÃO É MÃE, impunha sobre mim e eu mordia a isca direitinho... Estou descobrindo, afinal, que o grande benefício dessa licença não é, em primeiro lugar, ter tempo para estudar, mas sim ter tempo para desfrutar da maternidade com tranquilidade e sem exigências.

Também passei a mudar alguns hábitos de higiene pessoal dela e meu. Agora tomamos banho, em geral, duas vezes ao dia, de manhã, antes da escola/faculdade, e à noite, antes de dormir. O cabelo dela é lavado todos os dias. E o meu três vezes por semana. Parece bobo isso, mas eu também ficava meio perdida em relação a isso.

A minha alimentação já tinha sofrido um up e isso foi assunto de um post passado. Tenho buscado uma alimentação mais saudável, mas não me privo de alimentos que tenho vontade de comer, ainda que muito calóricos. Só que tem que haver a compensação por isso. O importante é que agora estou tão magra como gostaria e agora o meu foco tem sido manter o peso e fortalecer a musculatura.

Tenho procurado definir um rumo de estudos na minha faculdade de Direito, como escrevi há alguns dias. Mas reconheço que eu tenho estado bastante desanimada com os estudos e eu tenho refletido sobre o motivo disso. Talvez a forma como eu vinha encarando os estudos... de maneira muito inflexível, o que os tornava pesado demais. Eu literalmente queria substituir o trabalho remunerado pelos estudos na faculdade, como a continuamente justificar minha licença e me sentir com a consciência tranquila, e acabei fazendo disso tudo um enorme peso. Meu Deus! Por que não ter leveza? Ter disciplina e determinação não significa perder a leveza e eu frequentemente confundo ambas as coisas.

Outro fator de desmotivação pode ser a falta de vínculos afetivos desenvolvidos na faculdade. Na verdade, sinto-me um peixe fora d'água, mas agora convenço-me de que eu esteja excluída mais por minha postura do que pela dos colegas. Então é hora de rever isso, algo que também comecei a fazer no semestre passado, quando procurei me soltar mais e olhar mais para as pessoas ao meu redor. Senti-me mais confortável do que antes, mas ainda falta muito para me sentir realmente bem em sala de aula. Mas só de reler esse post já me senti levemente motivada a retomar os estudos, que, nessas férias, pela primeira vez, parei por completo e não senti a menor culpa. Eu só não sei se isso é bom ou ruim.

Reencontrei um antigo amor, que tirou de mim qualquer dúvida a respeito dessa paixão e senti como se algo do passado tivesse sido definitivamente resolvido. Sabe aquela história do primeiro namorado, que mora em outra cidade, aquela paixão fulminante que você não sabe bem se não deu certo apenas pela distância? Pois é. Creio que não deu certo porque realmente ele não é o homem da minha vida, algo bem mais compatível com meu marido. =)

Também recebemos em nossa casa um gatinho, o animal escolhido como o animal de estimação da família. Optamos por um gato de raça e elegemos a British Shorthair pelo seu temperamento maravilhoso, sua beleza e a facilidade com os cuidados com os pêlos. Acertamos em cheio. Ele cumpre muitíssimo bem a função para a qual foi adquirido: nos fazer companhia, especialmente à minha filha, com quem é bastante tolerante, mas também brincalhão. Independente na medida certa, porém sem deixar de procurar sempre a nossa companhia, sem ser pegajoso ou parecer carente demais. Mia muito pouco e, por vezes, é para comunicar algo, como, por exemplo, que quer que abramos a porta ou que a ração acabou. É um gato dócil e muito atento aos movimentos da casa. Posiciona-se sempre em móveis e lugares que o permitam observar o melhor ângulo da casa.

Finalmente, nesse primeiro semestre do ano, depois de dúvidas, mudei a minha filha de escola e estou muito feliz com a decisão porque ela também está feliz. Eu sinto que a nova escola tem um papel pedagógico a cumprir, que é diferente do meu papel de mãe. Na escola anterior, eu via algumas cuidadoras, até pela tenra idade em que a criança ingressa na escola, comportarem-se como mães e eu me via, em casa, fazendo trabalhos pedagógicos para suprir uma deficiência da escola. Agora com esses papeis mais bem estabelecidos, eu estou mais tranquila e segura com a minha filha na escola. No final, a mudança foi positiva.

Além disso, por conta da mudança de rotina escolar, passamos a acordar bem mais cedo, tornando o dia mais produtivo, eu nunca mais cheguei atrasada às aulas na faculdade e eu busco minha filha na escola duas horas mais cedo, o que torna o dia dela menos cansativo e nos dá mais tempo para estarmos juntas e para ela ter um tempo de brincar livre, não estruturado.

Para completar, no último dia do semestre, completei 30 anos. Já ouvi algumas vezes que era uma idade maravilhosa e, de fato, é! Enfim, foi um meio ano de muitos avanços e só posso agradecer a Deus. A quem mais? À minha psicoterapeuta, que sem dúvida me ajudou a caminhar para frente.

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