Divagações

Estou numa fase cheia de questionamentos...

- Eu vou me encontrar profissionalmente cursando Direito?
- Qual área dentro do Direito tem a ver com meu perfil?
- Até que ponto vale à pena ser um bom aluno? Aquele que é assíduo, pontual, faz todos os trabalhos e tira boas notas nas provas...
- Até que ponto está valendo à pena essa licença sem remuneração?
- Se eu tivesse com quem contar para buscar minha filha na escola e ficar com ela até que eu voltasse do trabalho, eu já teria voltado a trabalhar?
- Se eu voltasse a trabalhar, como eu encontraria tempo para fazer exercícios físicos, ir à terapia, estudar, ler, fazer as unhas, fazer escova, ir a consultas, fazer exames, almoçar a sós com meu marido, ter um tempo a mais envolvida com minha filha, resolver pendências...?

O Curso de Direito não vai me ensinar a ser uma líder nem a desenvolver competência socioafetiva nem a lidar com a minha ansiedade ou a minha insegurança. Ele vai me trazer conhecimento. Mas a verdade é que um bom profissional está muito além do conhecimento que detém...

Outro aspecto que ficou claro: quando eu trabalhava, eu reclamava e era irritada e nervosa. Sentia-me frustrada por trabalhar com algo banal como numerar processos e intimar o autor para a réplica. O ambiente do meu trabalho fazia-me mais mal do que bem em termos de convívio social.

Por outro lado, agora que estou de licença, continuo reclamando, irritada e nervosa. Sinto-me frustrada por não estar ganhando meu próprio dinheiro e ter com isso uma liberdade e autonomia maior, por não estar sendo útil por meio de um trabalho remunerado, por ter pouco contato social.

Isso quer dizer que o problema não está nas minhas circunstâncias somente, mas está sobretudo dentro de mim, o que tem me obrigado a fazer uma viagem dentro de mim mesma. Aquilo que chamam de autoconhecimento.

Sinto que estou progredindo como ser humano, como mulher, como esposa, como mãe... a passos lentos, é verdade. Mas não estou estacionada. Quando, entretanto, comparo-me a certas mulheres bem resolvidas, vejo como estou a anos luz delas e que, nessa vida, eu jamais poderia alcançar certos cargos com essas fragilidades com as quais terei que lidar e trabalhar talvez o resto dessa minha curta vida. Esse é um lado de enxergar a realidade. O outro é olhar para trás e perceber o quanto eu já evolui e cresci, ou seja, quando eu me comparo comigo mesma. E isso me motiva a continuar crescendo mais e mais.

Ao mesmo tempo, eu como mãe desejo que minha filha realize alguns sonhos que eu queria para mim mesma, mas não me foi possível realizar. Meu desejo é que minha filha seja uma pessoa emocionalmente equilibrada, socioafetivamente competetente, bem resolvida e que faça a diferença (positiva) onde estiver qualquer que seja a profissão que venha a escolher.

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