2016: dividida entre a maternidade e os estudos
Antes de ter minha filha e já servidora pública ocupando um cargo de nível médio que pagava razoavelmente bem, eu "estudava" para concursos de qualquer área de formação. Mas eu não tinha verdadeira motivação para estudar para eles pois não me identificava com as atribuições do cargo... E apenas a boa remuneração não era suficiente para me motivar. Além disso, só fui saber claramente o que queria da minha vida depois que minha filha nasceu. E eu queria fazer Direito!
Aos 29 anos, estou cursando minha segunda graduação em Direito e f#-se que é na particular. Estou gostando muito do curso, certa da decisão que tomei. Para isso, tirei uma licença sem remuneração válida por 3 anos. Agora faltam apenas dois!
2015 não foi exatamente um ano "produtivo" em termos de estudo para concurso, mas um ano "sabático" em que, além de ir e estudar para as provas da faculdade, pude ter tempo para elaborar algumas pendências da minha vida e, francamente, aproveitar para experimentar um pouco de liberdade que eu havia perdido depois que minha filha nasceu. Essa parte tem sido fundamental para eu me autoconhecer e reconhecer algumas faltas, limitações e potencialidades, mas acredito que estou pronta para começar a encarar séria, mas serenamente, a preparação para um concurso público desde já.
Quando eu leio as histórias de renúncias e sacrifícios de quem passou em concursos públicos, tenho a impressão, ou a certeza, de que passar neles é ainda mais difícil para quem é mãe, especialmente de crianças pequenas (até os 5/6 anos). E isso não é uma "desculpite", como diria Alexandre Meirelles.
O mundo da maternidade é profundamente complexo e, para ser sincera, só quem é mãe tem a aptidão para compreender isso. Veja bem: aptidão, mas não significa que tenha se aberto para isso. Essa questão é muito, mas muito bem elaborada no fantástico livro "Maternidade: um encontro com a própria sombra", de Laura Gutman. Quem lê aquilo e percebe as transformações e exigências pelas quais passa a mulher realmente não encontra muito espaço para o assunto "estudar para concursos públicos", exceto claro se você achar que estudar para concursos seja 30 min num dia, 1 hora no outro e passar 1 semana sem estudar...
No meu caso, eu só consegui tentar conciliar as coisas tirando a tal licença, pois precisava de tempo! É um tempo que tem prazo para terminar e isso me angustia por demais... Mas tenho que aproveitar esse tempo da melhor maneira possível e isso com certeza não significa que vou usar todas as minhas horas "livres", em que minha filha está na creche, para estudar. Significa que eu terei que priorizar atividades, evitar desperdícios de tempo, organizar-me, me centrar mais a partir desse ano, evitando almoços demorados semanalmente com o marido, por exemplo, e, a partir de agora, começando a incluir estudos aos sábados, domingos, feriados e férias, nem que seja por pelo menos 1 hora.
Sinceramente, acredito que eu não precise contratar uma babá para que eu estude 1 hora por dia. Também não dá para contar com o estudo somente no momento em que minha filha dorme, pois nem sempre ela dorme durante o dia e isso acaba me frustrando e me deixando irritada com ela, sem que ela naturalmente tenha culpa sobre isso. O melhor a fazer é dar uma atenção de qualidade para ela (ficar sentada no mínimo 30 min assistindo ela brincar e estando disponível, não necessariamente brincando) e depois conversar com ela sobre o processo pelo qual estou passando. Estou estudando para conseguir um bom trabalho. Aos 3 anos, aproveitei para trabalhar essa questão pela primeira vez nessas férias e tem dado certo. Ela deixa eu estudar de 1 a 2 horas. Mais que isso, seria judiação. Nesse meio tempo, ela costuma assistir algum filme (já assiste filmes longos) ou brinca sozinha. Não é aquele estudo de superconcentração, é verdade, tipo estudar de madrugada, mas é o que dá para fazer...
Ao mesmo tempo em que neste ano que se inicia eu pretendo levar a sério o estudo para concursos, também decidi deixar a minha filha menos tempo na creche que no ano anterior para que ela fique mais em minha companhia. Esse assunto sempre falou ao meu coração, mas eu, apoiada pelo meu marido, achava que aproveitar ao máximo a licença significaria tão somente me concentrar em estudos. Afinal, diria meu marido, "você não está de licença para cuidar de criança".
Além de eu efetivamente não estudar em todo esse tempo em que minha filha ficava na creche, a verdade é que eu QUERIA ficar mais com minha filha, mas achava também que ela estaria melhor na creche do que comigo. Afinal, para mim estava sendo bastante desgastante lidar com as birras dos dois anos que se prolongava até os três, com os choros dos quais eu tinha dificuldade de enxergar os reais motivos e outras dificuldades relacionadas à criação de filhos que só quem tem conhece... E "estudar" era uma linda e boa desculpa para não lidar com isso. Mas sempre aquilo incomodava o meu coração... aquela voz que muitas pessoas e a própria sociedade muitas vezes insistem em calar... Por isso, precisamos de um tempo a sós, de introspecção, em que possamos ouvir aquilo que realmente queremos. Nesse sentido, a leitura do livro "Maternidade: um encontro com a sua própria sombra", já mencionado antes, foi de uma luz sem igual, tendo me ajudado sobremaneira nessa decisão.
Eu não vou abrir mão de passar mais tempo com minha filha para estudar feito louca para concurso. Não agora que ela está com essa idade. Embora eu realmente deseje muito um concurso melhor, na área de minha futura formação, a minha prioridade realmente é, como mãe, acompanhar, orientar e educar minha filha e isso necessariamente envolve mais tempo de qualidade juntas. Não tempo de eu lavando a louça e ela assistindo televisão. Mas tempo para diálogos, comunicação, brincadeiras, tempo para olhá-la atentamente, para estar disponível para ela, preparar uma refeição gostosa, dar um banho demorado.
Porém, graças à Licença, me é possível sim começar o caminho da preparação desde já, ainda que a passos lentos. O que me é possível é manter a constância, a regularidade. Não computarei muitas horas líquidas de estudo diárias, é verdade, mas já estarei fazendo minha parte. E conforme minha filha for crescendo e eu conseguir me formar na faculdade, o cenário será outro certamente.
Que em 2017 eu possa contar aqui os frutos da colheita que agora pretendo plantar!!!
Aos 29 anos, estou cursando minha segunda graduação em Direito e f#-se que é na particular. Estou gostando muito do curso, certa da decisão que tomei. Para isso, tirei uma licença sem remuneração válida por 3 anos. Agora faltam apenas dois!
2015 não foi exatamente um ano "produtivo" em termos de estudo para concurso, mas um ano "sabático" em que, além de ir e estudar para as provas da faculdade, pude ter tempo para elaborar algumas pendências da minha vida e, francamente, aproveitar para experimentar um pouco de liberdade que eu havia perdido depois que minha filha nasceu. Essa parte tem sido fundamental para eu me autoconhecer e reconhecer algumas faltas, limitações e potencialidades, mas acredito que estou pronta para começar a encarar séria, mas serenamente, a preparação para um concurso público desde já.
Quando eu leio as histórias de renúncias e sacrifícios de quem passou em concursos públicos, tenho a impressão, ou a certeza, de que passar neles é ainda mais difícil para quem é mãe, especialmente de crianças pequenas (até os 5/6 anos). E isso não é uma "desculpite", como diria Alexandre Meirelles.
O mundo da maternidade é profundamente complexo e, para ser sincera, só quem é mãe tem a aptidão para compreender isso. Veja bem: aptidão, mas não significa que tenha se aberto para isso. Essa questão é muito, mas muito bem elaborada no fantástico livro "Maternidade: um encontro com a própria sombra", de Laura Gutman. Quem lê aquilo e percebe as transformações e exigências pelas quais passa a mulher realmente não encontra muito espaço para o assunto "estudar para concursos públicos", exceto claro se você achar que estudar para concursos seja 30 min num dia, 1 hora no outro e passar 1 semana sem estudar...
No meu caso, eu só consegui tentar conciliar as coisas tirando a tal licença, pois precisava de tempo! É um tempo que tem prazo para terminar e isso me angustia por demais... Mas tenho que aproveitar esse tempo da melhor maneira possível e isso com certeza não significa que vou usar todas as minhas horas "livres", em que minha filha está na creche, para estudar. Significa que eu terei que priorizar atividades, evitar desperdícios de tempo, organizar-me, me centrar mais a partir desse ano, evitando almoços demorados semanalmente com o marido, por exemplo, e, a partir de agora, começando a incluir estudos aos sábados, domingos, feriados e férias, nem que seja por pelo menos 1 hora.
Sinceramente, acredito que eu não precise contratar uma babá para que eu estude 1 hora por dia. Também não dá para contar com o estudo somente no momento em que minha filha dorme, pois nem sempre ela dorme durante o dia e isso acaba me frustrando e me deixando irritada com ela, sem que ela naturalmente tenha culpa sobre isso. O melhor a fazer é dar uma atenção de qualidade para ela (ficar sentada no mínimo 30 min assistindo ela brincar e estando disponível, não necessariamente brincando) e depois conversar com ela sobre o processo pelo qual estou passando. Estou estudando para conseguir um bom trabalho. Aos 3 anos, aproveitei para trabalhar essa questão pela primeira vez nessas férias e tem dado certo. Ela deixa eu estudar de 1 a 2 horas. Mais que isso, seria judiação. Nesse meio tempo, ela costuma assistir algum filme (já assiste filmes longos) ou brinca sozinha. Não é aquele estudo de superconcentração, é verdade, tipo estudar de madrugada, mas é o que dá para fazer...
Ao mesmo tempo em que neste ano que se inicia eu pretendo levar a sério o estudo para concursos, também decidi deixar a minha filha menos tempo na creche que no ano anterior para que ela fique mais em minha companhia. Esse assunto sempre falou ao meu coração, mas eu, apoiada pelo meu marido, achava que aproveitar ao máximo a licença significaria tão somente me concentrar em estudos. Afinal, diria meu marido, "você não está de licença para cuidar de criança".
Além de eu efetivamente não estudar em todo esse tempo em que minha filha ficava na creche, a verdade é que eu QUERIA ficar mais com minha filha, mas achava também que ela estaria melhor na creche do que comigo. Afinal, para mim estava sendo bastante desgastante lidar com as birras dos dois anos que se prolongava até os três, com os choros dos quais eu tinha dificuldade de enxergar os reais motivos e outras dificuldades relacionadas à criação de filhos que só quem tem conhece... E "estudar" era uma linda e boa desculpa para não lidar com isso. Mas sempre aquilo incomodava o meu coração... aquela voz que muitas pessoas e a própria sociedade muitas vezes insistem em calar... Por isso, precisamos de um tempo a sós, de introspecção, em que possamos ouvir aquilo que realmente queremos. Nesse sentido, a leitura do livro "Maternidade: um encontro com a sua própria sombra", já mencionado antes, foi de uma luz sem igual, tendo me ajudado sobremaneira nessa decisão.
Eu não vou abrir mão de passar mais tempo com minha filha para estudar feito louca para concurso. Não agora que ela está com essa idade. Embora eu realmente deseje muito um concurso melhor, na área de minha futura formação, a minha prioridade realmente é, como mãe, acompanhar, orientar e educar minha filha e isso necessariamente envolve mais tempo de qualidade juntas. Não tempo de eu lavando a louça e ela assistindo televisão. Mas tempo para diálogos, comunicação, brincadeiras, tempo para olhá-la atentamente, para estar disponível para ela, preparar uma refeição gostosa, dar um banho demorado.
Porém, graças à Licença, me é possível sim começar o caminho da preparação desde já, ainda que a passos lentos. O que me é possível é manter a constância, a regularidade. Não computarei muitas horas líquidas de estudo diárias, é verdade, mas já estarei fazendo minha parte. E conforme minha filha for crescendo e eu conseguir me formar na faculdade, o cenário será outro certamente.
Que em 2017 eu possa contar aqui os frutos da colheita que agora pretendo plantar!!!
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