Relacionamento em família - uma convivência possível?

Não é de hoje que o meu relacionamento com a esposa do meu pai não é bom. Antes de eu ter minha filha, a gente praticamente não tinha relacionamento algum, que se limitava, para a felicidade dela, aos encontros formais de família, como festas de aniversário, Natal e Ano Novo. A desculpa que ela usava para não conviver com a gente e legitimar sua ação era de que agora que eu e minha irmã estávamos casadas, nós tínhamos nossa vida própria e não queria nos incomodar. Oh falácia...

Depois que minha filha nasceu e eu passei por um período muito difícil de separação do meu marido, o meu pai e a esposa dele acabaram tomando um LUGAR em minha vida - e no da minha filha - que não estava preenchido por ninguém. Eu precisava urgentemente de APOIO. Eles, sem o menor tato, ajudavam como podiam e eu aceitava aquela ajuda que, emocionalmente, fazia-me por vezes sentir ainda pior. Pois é, na minha vida eu tive de passar por situações de aceitar ajuda de quem não me fazia muito bem. Ou era isso ou não era nada. 

Conforme a minha filha foi crescendo e eu fui me inteirando mais da condição de ser mãe, mais eu conseguia enxergar como a esposa do meu pai se colocava de forma INCÔMODA e INOPORTUNA na minha relação com minha filha. Infelizmente, com diálogo, não foi possível tratar sobre isso com ela.  Ela me ouve sim, mas não me escuta. Há abertura para eu ser ouvida, mas não há abertura para ela mudar de ideia a respeito de si própria. Então, para evitar tamanho desgaste e o incômodo de conviver com ela, que tenta enfraquecer e deslegitimar o meu papel de mãe, o melhor a fazer é me AFASTAR, não eliminar a convivência da minha filha com os avós por completo.

Tentando entender o que faz essa mulher agir da forma que ela age comecei a pensar na história de vida dela e na relação dela comigo. Em primeiro lugar, essa mulher não gosta de mim. Para ela, eu e minha irmã somos a representação da minha própria mãe, uma contínua ameaça para ela - mas só na cabeça dela, claro.

Em segundo lugar, ela nunca foi mãe. E sei que ela gostaria de ter sido. Quando está com minha filha, ela se comporta na verdade, não como avó, mas como mãe da minha filha. O tempo inteiro ela se comporta como se ela soubesse o que fosse melhor para a minha filha, não eu. Nessa tentativa de que minha filha goste mais dela do que de mim mesma, ela atende a todas as necessidades da minha filha como dizendo que, quando ela está por perto, a minha filha não precisa de mim.

Uma coisa muito errada que ela faz é atender a todas as pseudonecessidades da minha filha, que não passam de caprichos e desejos próprios de uma criança de três anos. Essa mulher acha que atender imediatamente a todas os desejos da minha filha vai mostrar para o meu pai como ela não somente é uma boa mãe - ela representa esse papel quando está com minha filha -, mas sobretudo como ela é uma melhor mãe que eu. Sim porque toda essa atenção e disposição que ela dispensa para a minha filha tem origem não no profundo afeto e vínculo que ela tenha por minha filha, mas sim na necessidade doentia que ela tem de se afirmar para o meu pai com o único objetivo de não perdê-lo. E por isso exerce o total controle sobre ele. Essa é uma das maiores teorias da conspiração que eu já bolei, mas é preciso ir fundo se se quiser elaborar os nós e as questões da vida. 

E meu pai? Confesso que é difícil admitir que o meu pai que cuidou sozinho de mim e de minha irmã desde que tínhamos 8 e 10 anos, respectivamente, tenha se tornado um adulto por vezes infantilizado e que parece não conseguir pensar nem agir por conta própria.

Algo que me ocorreu agora foi porquê, mesmo sendo essa convivência tão complicada e empatada, eu resisti tanto em me afastar. E eu sei o motivo: eu buscava retomar a convivência com meu pai, que foi perdida por completo depois que me casei, por conta dessa mulher. Essa mulher só aceitou voltar a conviver comigo depois que minha filha nasceu. Isso significa que: se eu quisesse voltar a conviver com meu pai, eu teria de assistir irritada e incrédula ao espetáculo de horror que ela promovia no meu relacionamento com minha filha bem como na educação dela.

"O tempo é a resposta de todos os males". Bem, não de todos. Muitas vezes é nessa frase que os preguiçosos e os covardes de plantão se apóiam para não se posicionar. A decisão de conviver com meu pai não cabe só a mim, mas cabe a nós dois. Se ele só aceitar conviver comigo se eu tiver que aceitar esse comportamento doentio e maléfico dessa mulher, eu estou fora. No momento, minha missão maior é promover o bem-estar e a felicidade da minha filha e é realmente uma pena que isso tenha de envolver afastamento da convivência com meu pai e com o avô da minha filha. 

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