Estudar para concurso
![]() |
| ANTES: escrivaninha adolescente com mais de 10 anos de uso e dividindo o mesmo ambiente com os brinquedos da minha filha. |
Estudar para concurso é quase um hábito de vida do brasiliense. E eu diria que é um bom hábito: agrega conhecimento, força você a ler, a raciocinar, dá disciplina, foco, meta, além de ter um prêmio muito satisfatório: um emprego que oferece, no mínimo, qualidade de vida.
Passada essa fase de decidir e procurar por um animal de estimação, minha atenção, talvez estimulada pela chegada de minha nova estação de trabalho, voltou-se novamente para os concursos. De um modo geral, há algumas coisas mais ou menos consensuais quando o assunto é estudar seriamente para um certame dessa natureza, as quais abordarei nesse post. Enriquecerei esse artigo com comentários de uma amiga que foi recém-aprovada - e já está trabalhando - no último concurso para o Técnico do TCU. Em aspas.
I - Planejamento Estratégico
Antes de começar essa caminhada, é preciso refletir sobre que tipo de cargo tem a ver com o seu perfil e as suas expectativas e, claro, ser realista na hora de avaliar a viabilidade de se atingir tal cargo. Vale à pena se demorar pesquisando cargos, conversando com pessoas até encontrar o que realmente te motiva a se aventurar nessa seara. É a motivação que vencerá a preguiça e o desânimo. Além disso, é essa escolha que guiará todo o planejamento de estudos que se seguirá daqui para frente. Para tomar essa decisão, um certo grau de autoconhecimento é imprescindível, questão, aliás, em que bato muito na tecla. Esse passo é o mais fundamental de todos e, por isso, você deve "perder seu tempo"com ele.
2. Analisar o edital
Escolhido o cargo, o próximo passo é analisar o edital. São as disciplinas contidas ali que deverão ser o foco de estudo do candidato. Além disso, o edital oferece informações da quantidade e do peso de cada disciplina, permitindo estabelecer as disciplinas que deverão ser objeto de maior atenção e aquelas que não merecem tanta dedicação. A internet é rica em sites e blogs que oferecem, para certos cargos, uma análise do edital.
II - Plano tático-operacional
Esse passo é a efetiva operacionalização do seu planejamento estratégico.
Ciclo de estudos é um método de estudo quase unânime entre concurseiros sérios. Ele prevê o estudo de todas as disciplinas do edital - sem negligenciar nenhuma delas - e prevê quantas horas de dedicação será reservada a cada uma delas e, inclusive, qual a seqüência de estudos. Ao final de cada ciclo, recomenda-se fazer um simulado com a mesma quantidade e distribuição de questões da última prova para o concurso desejado. E, claro, a prova deve ser realizada no mesmo tempo previsto no último edital do concurso justamente para simular uma prova real. Quando um ciclo termina, inicia-se outro e assim sucessivamente até que todo o conteúdo do edital seja "coberto".
O tempo de estudo dedicado a cada disciplina dependerá da importância conferida a ela conforme analisado no edital e do grau de domínio do conteúdo pelo candidato. Penso que, no mínimo, 1 hora de estudo para as disciplinas consideradas "menos importantes"seja bem razoável. Para não ficar cansativo, para as disciplinas com mais de 1h de dedicação é possível "pulverizá-las". Por exemplo, 4h de estudo podem ser distribuídas em 4 intervalos de 1h de estudo dentro de um mesmo ciclo. Veja, a seguir, um exemplo de ciclo de estudos hipotético:
- Direito Constitucional (DCO) = 4h
- Direito Administrativo (DAD) = 3h
- Direito Civil (DCI) = 2h
- Informática (INF) = 1h
- Simulado (SIM) = 4h
DCO --- 1/4H >>> DAD --- 1/3H >>> DCO --- 2/4H >>> DCI --- 1/2H > DAD --- 2/3H >> DCO ---3/4H >>> INF --- 1H >>> DAD --- 3/3H >>> DCI --- 2/2H >>> DCO --- 4/4H >>> SIM --- 4H
Um ciclo não precisa necessariamente ser encerrado em um mesmo dia. Na verdade, é bem possível que não termine. É preciso ter em mente que mais valem duas horas de estudo diárias do que 8 ou 6 horas dia sim, diaS não. É tornar do estudo um hábito. Um ritmo mais intenso de estudo, no entanto, será necessário no momento em que o edital for lançado, em que o candidato deverá se empenhar para revisar todo o conteúdo possível.
Dificilmente o candidato conseguirá traçar de imediato um ciclo de estudos que espelhe de maneira fidedigna suas reais necessidades e as exigências da prova, sendo certo que o ciclo sofrerá modificações ao longo do tempo para melhor se adequar a esse intento.
Um fator decisivo pra mim foi adotar o que eles chamam de “Ciclo de estudos”. Antes desse meu projeto TCU, eu estudava cada matéria isoladamente. Somente depois de “esgotar” o assunto em uma matéria, eu partia para a próxima e, de fato, isso era péssimo. Vou deixar um link falando sobre essa “metodologia” caso você não a conheça: http://esquemaria.com.br/planilha-de-estudos-ciclo/ No meu caso, eu fiz algumas adaptações, mas dando muita ênfase na questão de dar o peso certo pra cada matéria, de maneira que eu dedico mais tempo às matérias que caem mais na prova. O que me ajudou, também, foi organizar mais minha grade de estudos ao ponto de realmente cronometrar minhas horas líquidas de estudo. Um site que, atualmente, uso diariamente é este: http://www.iestudos.com.br/? mostrar=tutorial. Ele tem um preço bem acessível e você pode fazer um teste grátis. Acho que existem outros sites similares e até mais “avançados”, mas este é o que acabei conhecendo primeiro e anda me atendendo.
2. Fazer muitos exercícios
É importante se habituar às questões da banca examinadora. Cada uma tem um estilo de cobrança e adota determinados posicionamentos doutrinários. Além disso, quando são feitas diversas questões da mesma banca, começa-se a perceber uma certa regularidade na cobrança de determinados assuntos em detrimento de outros. Na verdade, é por meio dos exercícios que você terá condições de "enxugar" o edital e conhecer o que realmente você deverá saber sobre determinado assunto. Isso é absolutamente fundamental em concursos que cobram uma grande quantidade de conteúdo e/ou que, por serem muito concorridos, tem uma nota de corte muito alta. Dependendo do cargo, é importante exercitar para as provas discursivas. Muitos candidatos deixam de lado a adequada preparação para tais provas: um erro fatal em determinados concursos.
Um outro ponto importante são os exercícios e, consequentemente, a banca organizadora. Depois de definido meu concurso, eu só ando fazendo exercícios da provável banca que irá organizá-lo, no caso, o CESPE. Eu testei alguns sites de questões, mas ainda assim prefiro o Questões de Concursos: http://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/inicio
Eu o considero bastante completo, principalmente nas funcionalidades, além de ter um preço bacana. É bem verdade que os comentários não são de professores, como o site do TEC, mas na balança eu ainda o considero melhor. E em relação a questões, ainda, tem uma metodologia que achei bastante interessante, a “Tática dos Feras”: https://www.youtube.com/watch?v=AE-46Vz48GY
Um ponto preocupante pra mim em relação ao TCU é a parte discursiva. Então, pra treinar esse aspecto, eu achei muito legal um aplicativo grátis que descobri recentemente (hoje kkkkkk) que te permite fazer flash cards com perguntas e respostas, o Anki. Você coloca uma pergunta e uma resposta e assim vai criando várias "cartas". E na hora de estudar, aparece a pergunta, você mentalmente a responde e depois confere a resposta. Eu achei bastante interessante para a hora de revisar e também para treinar pontos para a discursiva. Se te interessar, dê uma olhada nesse tutorial de como usar o aplicativo: https://www.youtube.com/watch?v=Ga_Y5J_QvE0 Ele tem a opção de download em português, também. http://ankisrs.net/. Eu o assinei recentemente e parece bem interessante porque te força mais a pensar. O preço é legal e tem como você fazer um teste antes.
III - Apoio
1. Material de estudo
Faz toda a diferença você contar com um material bom e adequado para determinada fase de sua preparação. Sejam livros, videoaulas ou aulas em PDF. Pegue dicas de bibliografia na internet, em fóruns e/ou com colegas que obtiveram a desejada aprovação.
2. Local de estudo
Pode ser na biblioteca ou em casa. De regra, meus estudos costumavam render mais em bibliotecas. Hoje, porém, eu gosto mais de estudar em casa e procuro criar um ambiente adequado: arejado, iluminado e silencioso na medida certa. Não precisa ter A escrivaninha ou A estação de trabalho. Uma mesa em local adequado resolve. Ouvir música clássica e/ou instrumental durante os estudos também pode ajudar a amenizar eventuais ruídos externos e não atrapalha no raciocínio.
3. Qualidade do sono
Durante o sono, o cérebro continua trabalhando para registrar aquelas informações aprendidas durante o dia. Retirei essa última informação do livro "Inteligência em Concursos - Manual de Instruções do Cérebro para Concurseiros e Vestibulandos", do prof. Pier, cuja leitura recomendo.
Além disso, com o sono em dia, o candidato terá maiores condições de "render" na rotina de estudos do dia seguinte.
Vários fatores atrapalham o bom sono, sendo a ansiedade e o excesso de preocupações apontados como causas frequentes para noites mal dormidas. Um sono ruim muitas vezes é indicativo de algo esteja desequilibrado, seja a saúde física ou psicológica/emocional. Vale à pena investir na detecção da verdadeira origem desse problema.
4. Equilíbrio emocional
Essa competência tem sido apontada como uma das mais relevantes no atual contexto profissional. Pessoas intelectualmente capazes e competentes podem deixar a desejar no momento de realizar uma prova justamente por terem uma espécie de bloqueio relacionado à parte psicológica/afetiva. Um preparo muito intenso pode compensar essa falha, mas o ideal mesmo, não só para passar mais rapidamente em um concurso público, mas também para a vida como um todo, é que o equilíbrio emocional seja trabalhado conjuntamente com a preparação propriamente dita para os concursos.
Para finalizar, indico um excelente artigo escrito por um cara que passou no concurso de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Alexandre Meirelles: https://www.pontodosconcursos.com.br/admin/imagens/upload/2632_D.pdf.


Comentários
Postar um comentário