The end
Não faz um mês que tomamos (tomei) a decisão de termos um cachorro. Não é uma decisão tão simples quanto parece. Até porque essa não é a primeira vez que teríamos um cachorro. Antes de ter minha filha, eu já tive um Shih Tzu, cuja companhia e características me agradavam bastante, porém não ao meu marido. E isso foi um ponto de discórdia tal entre nós que achei melhor deixar o cachorro com minha mãe. Resolvemos, por conta disso, escolher uma raça de cachorro dos sonhos do meu marido, o Basset Hound. De temperamento, é uma raça ótima. Lá fomos nós... nessa aventura insana e compramos um Basset para nosso apartamento. Em menos de um mês, constatamos que era inadequado ter um cão desse em apartamento e isso nos trouxe uma grande angústia. O cachorro estava nos trazendo problemas, não alegrias, mas pensar em doá-lo nos trazia grande sofrimento. Precisamos de apoio emocional para tomar essa decisão e prometemos a nós mesmos nunca mais tomar uma tal decisão em nossas vidas. Anos depois, já com uma filha, lá estávamos nós conversando sobre ter um cachorro.
Meu marido, após assistir a uma centena de vídeos no You Tube, já estava decidido: "quero um macho de Norfolk", ouço ele dizer. Eu não. Aparentemente, a minha maior motivação para ter um cachorro era para ser positivo para a minha filha e, quem sabe, para a nossa relação. Ela teria alguém, um outro ser vivo, para dividir a atenção, para aprender a se preocupar com as necessidades de outro... Então, eu buscava um cachorro kids friendly. Nesse momento, não me saía da cabeça o Golden Retriever. Mas não morávamos numa casa, sim num apartamento. Eu não estava disposta a lidar com tanta queda de pêlos. Além do que um cachorro de porte grande... com as conseqüências decorrentes disso. E, depois de terminada minha licença, eu não teria tanto tempo para passear com o cachorro e atender às suas necessidades físicas e afetivas!
Entre todas as raças, a que parecia atender de forma mais satisfatória a todas às minhas exigências era o Cavalier King Charles Spaniel. Porte pequeno, bom com crianças, bonito, queda de pêlos suportável, não precisa de tanta quantidade de exercícios, ainda assim consegue ser ativo e acompanhar uma criança, não late. O Coton e o Havanese eram ainda boas alternativas, mas eu me desanimei um pouco com as opções para aquisição... E o Cavalier se apresentava nos textos da internet sempre como a raça out of question, au concour! Embora meu marido reconhecesse o mérito do cão, o que ele queria para ELE era o Norfolk. Estava decidido. Embora eu também reconhecesse as boas características dessa raça, não achava que ela era adequada para nossa família. Em uma palavra: ele é um terrier! E vai me exigir algumas preocupações extras com as quais eu não gostaria de me comprometer.
Um "detalhe" importante é que eu seria a única responsável pelo cachorro, para atender a todas as suas necessidades, de passeios diários, comida, atenção, exercícios mentais... Porque meu marido simplesmente trabalha demais e tem um horário de trabalho absolutamente irregular, com plantões noturnos alguns dias, outros não, que mudam na semana seguinte, mas é possível que ele esteja presente durante três horas em algumas tardes de terça-feira. Tipo assim: não conte com ele! O resumo da ópera é que eu teria que me comprometer com um cachorro que ele queria para ele, e eu e minha filha (que passaríamos mais tempo com ele do que meu próprio marido) que nos ajustássemos para conviver bem com esse cão. ISSO É UM ABSURDO. Mas não consegui ter uma conversa madura com meu marido sobre isso, que logo apela e parte para a ignorância.
O fato de o meu marido não estar 100% a favor do Cavalier para ser o integrante da família, me fez DESISTIR da decisão de ter um cachorro. Simplesmente essa falta de encontro de objetivos já é um indício MUITO FORTE de que a introdução de um cachorro em nossa família vai gerar mais problemas do que alegrias. Simplesmente o principal objetivo de ter um cachorro - "ajudar a nossa filha" - estaria bem distante de ser atingido. O que minha filha precisa mesmo é de pais que se respeitem e que estejam presentes - e disponíveis emocionalmente - para atender às necessidades dela, inclusive emocionais!!!
Comecei a pensar que toda essa história de ter um cachorro era, na verdade, apenas para atender um desejo do meu marido, pois eu já estava muito bem com meus planos de fazer minha faculdade, embora me sentisse sozinha às vezes e achasse sim que um cachorro poderia ser um bom substituto para um irmão que a minha filha não teria tão cedo... Considerando o meu atual momento de vida, estar de licença TEMPORARIAMENTE, um cachorro simplesmente não é uma decisão muito sensata, exceto se essa responsabilidade fosse futuramente compartilhada com meu marido, de modo que ele absorvesse algumas atribuições após o meu retorno ao trabalho. Mas isso não aconteceria! Hoje, em que passo boa parte do dia em casa, fica fácil visualizar um cachorro em nossas vidas. Mas e depois?
Nesse tempo de indecisão, trouxe o meu Shih Tzu para nos visitar alguns dias. E vi algumas dificuldades práticas de se ter um cachorro e uma criança pequena. Por exemplo: agora estava na hora de ele descer e fazer as necessidades, mas a minha filha dormiu há 15 minutos. Não vai dar para descer com o cachorro! Você vai fazer alguma coisa na cozinha, tipo tirar as roupas da máquina de lavar, e quando vê, sua filha está lá na mesma cama do cachorro! Já imaginou se fosse um filhote muito frágil ou um cachorro pouco tolerante?
Após considerar todas essas coisas, eu desisti de ter um cachorro. E o mais interessante: senti-me absolutamente em paz com a decisão, como se um enorme peso tivesse saído dos meus ombros. Eu estava namorando a ideia de ter um animal de estimação, mas ao considerar seriamente as necessidades do cachorro, o meu atual momento de vida e o estilo de vida de minha família, constatei que um cachorro me exigiria mais do que eu estaria disposta se não quisesse comprometer alguns objetivos que já havia traçado para a minha vida. Além do mais: está na hora de eu tomar as rédeas da minha vida e parar de interromper planos e sonhos pessoais para atender a caprichos do meu marido! The end.
Entre todas as raças, a que parecia atender de forma mais satisfatória a todas às minhas exigências era o Cavalier King Charles Spaniel. Porte pequeno, bom com crianças, bonito, queda de pêlos suportável, não precisa de tanta quantidade de exercícios, ainda assim consegue ser ativo e acompanhar uma criança, não late. O Coton e o Havanese eram ainda boas alternativas, mas eu me desanimei um pouco com as opções para aquisição... E o Cavalier se apresentava nos textos da internet sempre como a raça out of question, au concour! Embora meu marido reconhecesse o mérito do cão, o que ele queria para ELE era o Norfolk. Estava decidido. Embora eu também reconhecesse as boas características dessa raça, não achava que ela era adequada para nossa família. Em uma palavra: ele é um terrier! E vai me exigir algumas preocupações extras com as quais eu não gostaria de me comprometer.
Um "detalhe" importante é que eu seria a única responsável pelo cachorro, para atender a todas as suas necessidades, de passeios diários, comida, atenção, exercícios mentais... Porque meu marido simplesmente trabalha demais e tem um horário de trabalho absolutamente irregular, com plantões noturnos alguns dias, outros não, que mudam na semana seguinte, mas é possível que ele esteja presente durante três horas em algumas tardes de terça-feira. Tipo assim: não conte com ele! O resumo da ópera é que eu teria que me comprometer com um cachorro que ele queria para ele, e eu e minha filha (que passaríamos mais tempo com ele do que meu próprio marido) que nos ajustássemos para conviver bem com esse cão. ISSO É UM ABSURDO. Mas não consegui ter uma conversa madura com meu marido sobre isso, que logo apela e parte para a ignorância.
O fato de o meu marido não estar 100% a favor do Cavalier para ser o integrante da família, me fez DESISTIR da decisão de ter um cachorro. Simplesmente essa falta de encontro de objetivos já é um indício MUITO FORTE de que a introdução de um cachorro em nossa família vai gerar mais problemas do que alegrias. Simplesmente o principal objetivo de ter um cachorro - "ajudar a nossa filha" - estaria bem distante de ser atingido. O que minha filha precisa mesmo é de pais que se respeitem e que estejam presentes - e disponíveis emocionalmente - para atender às necessidades dela, inclusive emocionais!!!
Comecei a pensar que toda essa história de ter um cachorro era, na verdade, apenas para atender um desejo do meu marido, pois eu já estava muito bem com meus planos de fazer minha faculdade, embora me sentisse sozinha às vezes e achasse sim que um cachorro poderia ser um bom substituto para um irmão que a minha filha não teria tão cedo... Considerando o meu atual momento de vida, estar de licença TEMPORARIAMENTE, um cachorro simplesmente não é uma decisão muito sensata, exceto se essa responsabilidade fosse futuramente compartilhada com meu marido, de modo que ele absorvesse algumas atribuições após o meu retorno ao trabalho. Mas isso não aconteceria! Hoje, em que passo boa parte do dia em casa, fica fácil visualizar um cachorro em nossas vidas. Mas e depois?
Nesse tempo de indecisão, trouxe o meu Shih Tzu para nos visitar alguns dias. E vi algumas dificuldades práticas de se ter um cachorro e uma criança pequena. Por exemplo: agora estava na hora de ele descer e fazer as necessidades, mas a minha filha dormiu há 15 minutos. Não vai dar para descer com o cachorro! Você vai fazer alguma coisa na cozinha, tipo tirar as roupas da máquina de lavar, e quando vê, sua filha está lá na mesma cama do cachorro! Já imaginou se fosse um filhote muito frágil ou um cachorro pouco tolerante?
Após considerar todas essas coisas, eu desisti de ter um cachorro. E o mais interessante: senti-me absolutamente em paz com a decisão, como se um enorme peso tivesse saído dos meus ombros. Eu estava namorando a ideia de ter um animal de estimação, mas ao considerar seriamente as necessidades do cachorro, o meu atual momento de vida e o estilo de vida de minha família, constatei que um cachorro me exigiria mais do que eu estaria disposta se não quisesse comprometer alguns objetivos que já havia traçado para a minha vida. Além do mais: está na hora de eu tomar as rédeas da minha vida e parar de interromper planos e sonhos pessoais para atender a caprichos do meu marido! The end.
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