Pensando em ter um cachorro

Ter ou não ter um cachorro? Eis a questão.

Minha filha está crescendo (vai completar 3 anos) e cada vez mais tenho achado que está faltando uma companhia para brincar com ela. Mesmo eu sempre procurando socializações nos parquinhos, embaixo do bloco, em encontros com amiguinhas e amiguinhos da escola, em festas de aniversário. E como ela está cada vez mais independente (leia-se: fazendo mais coisas sozinha sem precisar de minha presença constante), cogitei a possibilidade de um segundo filho, mais por ela do que por mim.

Mas... agora definitivamente não é o momento para isso. Eu estou no segundo semestre do curso de Direito e preciso desse curso se não quiser morrer e me aposentar como Técnico Judiciário. E eu não quero. Além disso, o meu marido está começando a se colocar profissionalmente no mercado, porque se formou tardiamente. Ele está agarrando o máximo de oportunidades possíveis para garantir um posicionamento que futuramente enseje uma maior estabilidade. Isso significa que ele está trabalhando muito! E que está mais ausente do que eu gostaria que tivesse... A minha vida está longe de ser um comercial de margarina. 

Antes de eu pensar nessa história de um segundo filho, porém, meu marido havia cogitado a possibilidade de termos um cachorro. Mesmo eu gostando muito e já tendo experiência com cachorro em minha própria casa, fui imediatamente resoluta dizendo não, não e não. Pois sabia que a parte trabalhosa e a responsabilidade de se criar um cachorro recairia inteiramente sobre os meus ombros. O meu marido veria apenas o rabo do cachorro abanando ao chegar em casa. Mas depois de refletir sobre não termos um segundo filho, pelo menos não agora, voltei a pensar na ideia. Fui ler a respeito dos benefícios psicológicos que um cachorro pode trazer para crianças e adultos e, assim, tomei a decisão de adquirir um cachorro.

Em busca da raça ideal

Nós, que já tínhamos um conhecimento relativamente razoável sobre as raças, pelo menos as mais populares, começamos  a pesquisar sobre elas... Meu marido sugeriu inicialmente o Golden Retriever. Ele é um cachorro, em primeiro lugar, lindo. Em segundo lugar, sabidamente não agressivo e que se dá bem com crianças. E, em terceiro lugar, é relativamente fácil de encontrar. Bastou, porém, uma pesquisada para chegarmos à conclusão de que o porte dele não é recomendado para crianças pequenas, pois podem facilmente derrubá-las. Um cachorro de tal porte em apartamento também pode se tornar um inconveniente, além de elevar os gastos com alimentação e banho. Outra questão é que ele precisa de mais exercícios diários do que nós podemos lhe oferecer. Descartada essa raça.

Consideramos rapidamente o Buldogue Francês, raça bastante comum no meu bairro. Também tenho uma amiga próxima que o trata como a um filho. Mas eu não gosto de cachorro babão, que solta muito pêlo e que é meio bruto em seus movimentos. Não combina muito com criança pequena. Além de ter sérios problemas de saúde, ser braquicefálico. Próximo.

Lembrei de um cachorro lindo e pequeno que eu havia visto certa vez. Era o Pastor de Shetland. Inteligente, porte médio, bonito, não agressivo. Parecia que seria aquele o escolhido. Mas lendo mais, esclarecemo-nos que a raça é muito sensível a tons altos de voz e a movimentos bruscos, por exemplo, o que pode levar o cachorro a ficar tímido ou mais reservado do que o esperado. Eu gostei, mas não achei que o cachorro fosse ser feliz numa casa com uma criança pequena, que ainda chora alto, grita, corre e faz movimentos meio imprevisíveis. Além disso, altamente inteligente, figurando entre os 10 primeiros no ranking de inteligência para adestrabilidade realizado por Stanley Coren, o cachorro, para ser feliz, precisaria de estímulos mentais também. Eu gosto disso, mas no momento não estou disposta a me comprometer com sessões de treinamento. Próximo!

A essa altura, eu queria um cachorro descomplicado, saudável e que simplesmente fosse um cachorro pelo amor de Deus! Foi aí que encontrei o Beagle. Bonito, disponível para comprar, tamanho agradável, não precisa de pêlos escovados, independente... Depois de pesquisar mais, achamos que essa raça poderia nos trazer mais problemas do que alegrias. Solta muitos pêlos, precisa de muitos exercícios físicos, tem tendência a latir, o seu latido é alto e, ainda por cima, não são obedientes, ocupando a 72ª posição no ranking de inteligência.  Sério... eu estou trabalhando arduamente para ser uma autoridade na vida da minha filha e sinceramente não estou disposta a adquirir um cão que tinha tendências a me desobedecer. Próximo.

Vejamos... Começamos por uma raça do grupo dos Esportistas (Golden Retriever), passamos rapidamente pelo grupo dos Não-esportistas (Buldogue Francês), consideramos um do grupo de Pastores (Pastor de Shetland) e acabamos no grupo dos Hound (Beagle). Bem - pensei, vou dar uma olhada nos outros grupos. Que tal o grupo dos Terriers? Claro que nos chamou a atenção o Schnauzer por ser bonitinho, popular e relativamente acessível para se adquirir. Havíamos lido os prós, os contras e, pesando na balança, achamos que seria uma boa opção adquirir um Schnauzer Miniatura. Pensava: "Os terriers exigem um pulso firme para controlar suas tendências dominantes e de latir muito", mas pelo menos o Schnauzer Miniatura é treinável: ocupa a 12ª posição no ranking de inteligência.

Assim, pensávamos que a saga da procura pela "raça ideal" havia chegado ao fim. A partir de então, só precisaríamos encontrar um bom canil e pronto! Foi quando percebemos que estávamos prestes a começar uma saga ainda maior: a da procura por um canil de confiança. Mas isso será tema para um próximo post:

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