Decisão acertada

Eu tinha várias coisas em mente quando pensei em tirar a licença sem remuneração e até já escrevi sobre isso aqui no blog. Eu estava de saco cheio do meu ambiente de trabalho, do qual eu não conseguia sair, eu me sentia frustrada com a faculdade de jornalismo, que de nada servira, eu sentia que eu não tinha como mudar a minha história. Eu precisava de tempo para investir em outra coisa e, assim, atuar na minha realidade. Mas logo descobri que eu precisava também e sobretudo de terapia para mudar isso.

Duas coisas estavam na minha cabeça há anos: estudar para um concurso melhor de qualquer área de formação ou fazer faculdade de Direito. Eu sempre fiquei dividida entre as duas coisas. Se eu já trabalhasse em algo que pagasse bem, eu ainda faria faculdade? Ou eu teria meu segundo filho? Mas eu me realizaria profissionalmente? Ou só busco qualidade de vida? O que eu estava procurando, afinal? Aliar dinheiro, realização profissional e qualidade de vida, se possível.

Pelo meu perfil, ter optado pela faculdade foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Eu me sentiria completamente a esmo só "estudando para concurso", não saberia como começar, possivelmente jamais concluiria, não estaria disposta a fazer alguns sacrifícios, não teria objetividade nos estudos, avançaria lentamente sobre os conteúdos e acabaria deixando de lado disciplinas com as quais não tenho muita afinidade. E aí, ao final da licença, eu pensaria: desperdicei outros três anos da minha vida.

Fazer uma faculdade me ajuda a trabalhar justamente esses meus pontos fracos, por meio principalmente das aulas, que me obrigam a ter uma rotina de acordar cedo e sair de casa, e das provas, que me obrigam a estudar a matéria para uma prova real, de cujo resultado dependo para ir para o próximo semestre. Com essa cobrança real, eu consigo avançar nos estudos, me sacrificar quando necessário e priorizar as escolhas.

Outra vantagem é que a faculdade me oferece a possibilidade de aprender mais vagarosamente um conteúdo e o fato de as avaliações cobrarem somente um parte do conteúdo.  É uma abordagem gradual muito mais motivadora do que ter que estudar tudo para uma prova que não sei bem quando vai acontecer, o que me bloqueia. Se eu fizer tudo aos poucos, gradativamente, nem vou perceber a enorme quantidade de matérias que eu já consegui superar. E, depois, para o concurso, não terei que APRENDER essas matérias, mas revisá-las.

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