Sobre o meu corpo e sobre a minha alimentação

Depois que a minha filha nasceu, eu nunca estive tão insatisfeita com meu corpo. Com os quilos a mais nas "ancas", com a flacidez, com os seios caídos, a face enrugada e cheia de sinais (leia mais sobre a descoberta de ter envelhecido aqui). Logo que pude, matriculei-me em uma academia, me consultei com um dermatologista, um nutricionista e até com um cirurgião plástico.

Nessa fase, a academia significou apenas mais uma atividade na agenda corrida. A consulta com o nutricionista, por sua vez, não mudou minha alimentação, muito menos a minha vida. Quanto ao dermatologista, ele sugeriu a aplicação de botox para atenuar as rugas na testa, que apareceram precocemente em mim. E eu resolvi guardar a ideia da cirurgia plástica para depois dos 30 anos, talvez.

Meses depois, soube que havia um nutricionista badalado que fazia uma dieta super individual e respeitava aquilo que você gostava de comer, na medida do possível. Realmente, ele montou uma dieta mais realista, mediu com mais precisão as minhas gorduras, deu algumas explicações mais técnicas e científicas, apresentou gráficos do antes e depois. Emagreci uns 2kg com muito esforço, mas havia ganhado, segundo ele, massa muscular. Nessa época, havia mudado para uma academia mais moderna e ampla, porém mais distante da minha casa. 

Com essa segunda dieta, eu percebi que eu precisava de algo a mais para emagrecer: eu mesma deveria cozinhar algumas das minhas próprias refeições, o que inicialmente se tornou um problema, pois eu não sabia cozinhar. Por estar mais aberta à ideia, atraiu minha atenção um livro que encontrei por acaso nas prateleiras da Tok Stok: o Panelinha, da Rita Lobo. 

Gostei bastante de algumas das ideias que ela expressou nas páginas iniciais do livro, como, por exemplo, a importância de fazermos o nosso próprio alimento, nos alimentarmos de maneira saudável, a importância de frutas, de comer devagar e de fazer refeições em família. Tentei algumas receitas e estava até empolgada com isso até que tirei a licença e me mudei de apartamento.

Depois que mudei para o novo apartamento e tirei a licença, inicialmente eu havia emagrecido de tanta correria relacionada à mudança, apesar de ter interrompido completamente a academia, que eu iria cancelar porque havia um espaço fitness na cobertura do novo prédio. Porém, com a estabilização, notei que minhas roupas ficaram mais apertadas e já não caíam tão bem em mim. Até que, um dia, resolvi me pesar e levei um susto. A balança apontava 6 kg a mais do que eu gostaria de estar pesando.

Comecei, numa atitude desesperada, a fazer exercícios intensos todos os dias por cerca de meia hora e "maneirar" na alimentação. Em uma semana, eu já pesava menos, mas também apareceu uma dor embaixo do meu peito direito, que me fez parar tudo e correr ao pronto socorro. Feitos os exames, estava tudo certo e foi apenas um alerta para eu começar devagar. Ufa!

Como estava de férias da faculdade, uma amiga me convidou para fazer um curso de culinária com ela, algo que já havíamos aventado um ano antes. Eu gostei da proposta do curso e me matriculei, infelizmente não com minha amiga, que não podia fazer no mesmo horário que eu. Também adquiri um livro que havia atraído a minha atenção meses antes numa livraria: Mulheres francesas não engordam: os segredos indispensáveis para comer com prazer e... sem culpa. Estou na metade do curso e na metade do livro, mas já 1,5kg mais magra. E sobretudo mais consciente dos meus hábitos alimentares.

O livro apresenta uma filosofia de vida sobretudo na parte da alimentação, trazendo como referência o modo de viver e de alimentar franceses. São dezenas de dicas, conselhos, truques e receitas que descrevem esse estilo de viver e, que, aplicados na prática, fazem a diferença nos ponteiros da balança.

O segredo das francesas é o equilíbrio, nada de contar calorias de forma neurótica ou de fazer "trabalhos forçados" na academia, usando a expressão da autora, Mirelle Guiliano. A autora explica como a cultura francesa encara de modo diverso a alimentação e o impacto que isso traz no estilo de vida adotado. Por exemplo, o hábito de ingerir frutas ou de frequentar feiras em vez de hipermercados. O hábito de preferir caminhar em vez de usar o carro. De cozinhar o próprio alimento em vez de comprar pronto. De reduzir as porções em vez de encarar como "normais" as porções enormes oferecidas pelos restaurantes. De optar por qualidade do que por quantidade e encarar com naturalidade o impacto orçamentário de pagar mais por algo melhor.

Segundo a autora, "Produtos sazonais e temperos são vitais para combater o pior inimigo dos que amam comer bem: não, não são as calorias, mas o tédio. Coma a mesma coisa da mesma maneira, dia após dia, e vai necessitar de algo mais para conseguir o mesmo prazer. Com apenas um prato saboroso no jantar (seja um grande prato de massas ou um grande pedaço de carne), você estará fadada a comer demais, à medida que buscar a satisfação no volume, em vez de no entrelaçamento de sabores e texturas que advém de uma refeição bem planejada".

Você poderia dizer que não tem tempo para isso. Mas a autora adverte: "não que [as francesas] tenham muito mais tempo do que as outras mulheres para imaginar novas criações a cada semana. Apenas têm mais truques nas mangas". Mas desconfio que ela não tenha filhos.

O importante é incorporar alguns dos hábitos saudáveis sugeridos para que eu realmente me sinta bem comigo mesma, além de dar exemplo para a minha filha sobre a arte do alimentar-se bem e de forma saudável. 

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