A decisão
Já vou avisando. Esse post é loooongo. E é mais uma organização da minha vida desde que tirei a licença sem remuneração, que, aliás, deu nome ao blog. Quer conhecer mais essa história? Então, tome fôlego!
Eu sou responsável por um bocado de coisas aqui em casa. Mas não me considero dona-de-casa. Não passo roupa, não lavo banheiro e, principalmente, não faço comida. Aqui quem gosta de cozinhar é meu marido. Acho que "gerente do lar" é um nome mais apropriado, pois sinto que mais gerencio as demandas da casa do que cuido da casa, apesar de colocar a mão na massa também. Lavo roupas, faço compras no supermercado, levo o carro para lavar, levo e busco a minha filha na escolinha e ordeno o pagamento de todas as despesas familiares.
Formei-me em jornalismo, mas nunca nem quis exercer a profissão. Passei muito cedo no serviço público, no entanto, logo me desencantei com as atividades desempenhadas num cargo de nível médio. Dessa frustração, surgiu a ideia de fazer uma faculdade de Direito e de estudar para passar em um concurso público melhor (+ bem remunerado + gratificante + qualidade de vida + respeito social).
Por que uma faculdade de Direito?
a) acho o assunto interessante;
b) gosto de ler e escrever;
c) tenho uma certa experiência na área por trabalhar em um órgão do Judiciário;
d) mesmo sem passar em outro concurso, o curso me ofereceria oportunidades de crescimento profissional dentro do órgão onde trabalho atualmente;
e) oferece um leque de opções para concursos muito maior e mais bem pago do que aqueles destinados "a qualquer área de formação".
Por que insistir em permanecer no Serviço Público?
Eu sou responsável por um bocado de coisas aqui em casa. Mas não me considero dona-de-casa. Não passo roupa, não lavo banheiro e, principalmente, não faço comida. Aqui quem gosta de cozinhar é meu marido. Acho que "gerente do lar" é um nome mais apropriado, pois sinto que mais gerencio as demandas da casa do que cuido da casa, apesar de colocar a mão na massa também. Lavo roupas, faço compras no supermercado, levo o carro para lavar, levo e busco a minha filha na escolinha e ordeno o pagamento de todas as despesas familiares.
Formei-me em jornalismo, mas nunca nem quis exercer a profissão. Passei muito cedo no serviço público, no entanto, logo me desencantei com as atividades desempenhadas num cargo de nível médio. Dessa frustração, surgiu a ideia de fazer uma faculdade de Direito e de estudar para passar em um concurso público melhor (+ bem remunerado + gratificante + qualidade de vida + respeito social).
a) acho o assunto interessante;
b) gosto de ler e escrever;
c) tenho uma certa experiência na área por trabalhar em um órgão do Judiciário;
d) mesmo sem passar em outro concurso, o curso me ofereceria oportunidades de crescimento profissional dentro do órgão onde trabalho atualmente;
e) oferece um leque de opções para concursos muito maior e mais bem pago do que aqueles destinados "a qualquer área de formação".
Por que insistir em permanecer no Serviço Público?
a) apesar de em geral desmotivante, oferece qualidade de vida;
b) oferece boa remuneração;
c) a forma de admissão (por concurso público) me é familiar: tenho uma formação voltada ao preparo para provas de conhecimentos;
d) a advocacia privada não me atrai;
e) desconheço ou não desenvolvi qualquer outra habilidade rentável.
b) oferece boa remuneração;
c) a forma de admissão (por concurso público) me é familiar: tenho uma formação voltada ao preparo para provas de conhecimentos;
d) a advocacia privada não me atrai;
e) desconheço ou não desenvolvi qualquer outra habilidade rentável.
Mas como fazer uma faculdade de Direito e estudar para concurso:
a) trabalhando;
b) com uma filha pequena para criar;
c) tendo que gerenciar as atividades do lar;
d) sem ficar louca, estressada, irritada?
Para mim, impossível. Por isso, pensei em tirar uma licença sem remuneração para o trato de interesses particulares, por até 3 anos, podendo voltar a qualquer momento. Como a renda do meu marido nos mantém confortáveis, resolvi encarar.
a) trabalhando;
b) com uma filha pequena para criar;
c) tendo que gerenciar as atividades do lar;
d) sem ficar louca, estressada, irritada?
Para mim, impossível. Por isso, pensei em tirar uma licença sem remuneração para o trato de interesses particulares, por até 3 anos, podendo voltar a qualquer momento. Como a renda do meu marido nos mantém confortáveis, resolvi encarar.
Logo que saí de licença, mudamo-nos de apartamento. Passei esses primeiros meses bastante ocupada com a mudança. Eu alternava entre dois sentimentos: a autocobrança de manter a casa sempre em ordem e a vontade de aproveitar e fazer coisas que eu não faria se estivesse trabalhando.
Tentei conciliar ambas as coisas e aproveitei para ir na piscina no meio da tarde de uma terça-feira, fazer exercícios físicos durante a manhã, assistir a filmes de tarde, almoçar calmamente em um bom restaurante... coisas complicadas de se fazer quando se trabalha e se tem filho pequeno. Afinal, não teria outras oportunidades de fazer isso. E posso dizer que: foi muito bom!
A faculdade
Escolhi uma faculdade particular que exige menos do aluno, tem uma carga horária reduzida e que é ao lado da escolinha da minha filha justamente para me sobrar mais tempo para outras coisas. Mas não é uma faculdade mequetrefe não. Acho que só tem uma faculdade particular considerada melhor, mas que não seria tão conveniente.
Tentei conciliar ambas as coisas e aproveitei para ir na piscina no meio da tarde de uma terça-feira, fazer exercícios físicos durante a manhã, assistir a filmes de tarde, almoçar calmamente em um bom restaurante... coisas complicadas de se fazer quando se trabalha e se tem filho pequeno. Afinal, não teria outras oportunidades de fazer isso. E posso dizer que: foi muito bom!
A faculdade
Escolhi uma faculdade particular que exige menos do aluno, tem uma carga horária reduzida e que é ao lado da escolinha da minha filha justamente para me sobrar mais tempo para outras coisas. Mas não é uma faculdade mequetrefe não. Acho que só tem uma faculdade particular considerada melhor, mas que não seria tão conveniente.
Tenho horários a cumprir. Isso significa que, diferentemente da Michelle, do blog Vida Materna (que eu gosto de acompanhar), eu coloco o despertador para acordar, preciso arrumar minha filha para levá-la para a escolinha, apesar de raramente ter de acordá-la pois ela naturalmente acorda cedo. Mas costuma sim ser uma correria de manhã para chegar no horário.
De qualquer forma, o compromisso com o trabalho é diferente do compromisso com a faculdade, é bem menos pesado. Existe mais flexibilidade para ajustar horários e tempo para resolver problemas com bem menos estresse do que se eu estivesse trabalhando.
Mesmo a minha filha ficando o dia na creche, sinto que a minha dedicação a ela é muito melhor do que quando estava trabalhando. Estou menos cansada, mais motivada, mais feliz. Posso faltar se eu ou minha filha estivermos doentes, sem ter de prestar contas ou pegar atestado de saúde. Também tenho tido mais tempo a sós com meu marido, para almoçar no meio da semana ou simplesmente ficarmos conversando na cama ou no sofá. Não uso mais os fins de semana para cumprir algumas obrigações, como fazer compras no supermercado, fazer o pé e a mão ou lavar o carro. O final de semana está livre. E essa possibilidade de sermos mais “senhoras do nosso destino” é que faz a experiência toda ser libertadora.
Os estudos
Mesmo a minha filha ficando o dia na creche, sinto que a minha dedicação a ela é muito melhor do que quando estava trabalhando. Estou menos cansada, mais motivada, mais feliz. Posso faltar se eu ou minha filha estivermos doentes, sem ter de prestar contas ou pegar atestado de saúde. Também tenho tido mais tempo a sós com meu marido, para almoçar no meio da semana ou simplesmente ficarmos conversando na cama ou no sofá. Não uso mais os fins de semana para cumprir algumas obrigações, como fazer compras no supermercado, fazer o pé e a mão ou lavar o carro. O final de semana está livre. E essa possibilidade de sermos mais “senhoras do nosso destino” é que faz a experiência toda ser libertadora.
Os estudos
Estudar, ainda mais fazer algumas leituras mais aprofundadas, exige concentração e que o sono esteja em dia. Como a minha filha passa o dia na escolinha e meu marido trabalha fora, não tem ninguém para me tirar a concentração dentro de casa. Mas a casa em si, como bem falou a Michelle, apresenta uma série de distrações, como a louça em cima da pia para lavar, as roupas sujas dentro de cestos implorando para serem colocadas na máquina, as roupas limpas para tirar do varal, outras roupas passadas para acomodar nos guarda-roupas, os brinquedos espalhados para organizar, o sofá e a televisão ofertando um descanso por 15 minutos, a cama me chamando para cochilar uma meia horinha... Enfim, se eu fico em casa eu acabo me envolvendo com ela.
Aos sábados, domingos, feriados, férias
escolares da minha filha e em dias que eu ou minha filha estamos doente, eu não estudo.
Mesmo se quisesse, o estudo não seria rentável. Apesar de mulher, eu não sou uma pessoa multitarefas, isso significa que eu não faço bem muitas tarefas ao mesmo tempo. Então, eu preferi concentrar minha atenção para as atividades e pessoas em dias
e períodos diferentes. Por isso, eu
precisei me organizar para separar bem o meu tempo de fazer as coisas: o
horário comercial, que coincide com o horário em que minha filha está na creche,
corresponde ao tempo disponível que eu tenho para conciliar a faculdade, algumas das responsabilidades de gerente do lar, os estudos e exercícios físicos.
Nos estudos para concurso, não estou me preparando para correr a prova dos 100m livres (tipo passar na prova do TCU daqui há um ano). Estou me preparando para uma maratona. Nesse caso, a persistência com disciplina, dedicação e constância é mais importante que o esforço sacrificial. Nesse sentido, uma organização da rotina pode muito contribuir, principalmente se levarmos em conta meu perfil. Não só para render o dia, mas também para desfrutar dos momentos de descanso e lazer sem peso na consciência.
A razão pela qual decidi parar de trabalhar não foi SOMENTE para estudar. Não peguei as minhas 6h de trabalho e transformei em 6h de estudo. Eu estou buscando EQUILÍBRIO na vida e quero dedicar-me SEM ESTRESSE a afazeres e assuntos que realmente considero importantes. É claro que entre os meus objetivos está incluído o de acompanhar melhor a minha filha e exercer a maternidade com mais tranquilidade, saindo daquela louca roda viva.
Não me arrependi um minuto sequer de ter tirado a licença. Minha vida definitivamente ficou menos estressante. Não tive depressão por não ter com quem jogar conversa fora diariamente, mas me senti mais só. Estar sozinha foi muito bom nos três primeiros meses... eu precisava desse tempo para mim. Mas depois passei a me sentir solitária e a sentir falta de me relacionar com gente, apesar de ter aumentado consideravelmente o contato com meus poucos familiares que residem aqui em Brasília.
Existem muitas pessoas que apregoam que a boa mãe é aquela que exerce a maternidade sacrificial, ou seja, não pode mais nem tem prazer ou vida próprios. Pois eu digo outra coisa: só a mãe que tiver uma vida própria, equilibrada, que vá além dos próprios filhos e marido, realmente está apta a ser uma mãe melhor (é aquela ótima história da melhor versão de mãe que podemos ser). Mas é claro que muitas vezes isso não é possível. O importante é ter isso como meta.
Nos estudos para concurso, não estou me preparando para correr a prova dos 100m livres (tipo passar na prova do TCU daqui há um ano). Estou me preparando para uma maratona. Nesse caso, a persistência com disciplina, dedicação e constância é mais importante que o esforço sacrificial. Nesse sentido, uma organização da rotina pode muito contribuir, principalmente se levarmos em conta meu perfil. Não só para render o dia, mas também para desfrutar dos momentos de descanso e lazer sem peso na consciência.
A razão pela qual decidi parar de trabalhar não foi SOMENTE para estudar. Não peguei as minhas 6h de trabalho e transformei em 6h de estudo. Eu estou buscando EQUILÍBRIO na vida e quero dedicar-me SEM ESTRESSE a afazeres e assuntos que realmente considero importantes. É claro que entre os meus objetivos está incluído o de acompanhar melhor a minha filha e exercer a maternidade com mais tranquilidade, saindo daquela louca roda viva.
Não me arrependi um minuto sequer de ter tirado a licença. Minha vida definitivamente ficou menos estressante. Não tive depressão por não ter com quem jogar conversa fora diariamente, mas me senti mais só. Estar sozinha foi muito bom nos três primeiros meses... eu precisava desse tempo para mim. Mas depois passei a me sentir solitária e a sentir falta de me relacionar com gente, apesar de ter aumentado consideravelmente o contato com meus poucos familiares que residem aqui em Brasília.
Existem muitas pessoas que apregoam que a boa mãe é aquela que exerce a maternidade sacrificial, ou seja, não pode mais nem tem prazer ou vida próprios. Pois eu digo outra coisa: só a mãe que tiver uma vida própria, equilibrada, que vá além dos próprios filhos e marido, realmente está apta a ser uma mãe melhor (é aquela ótima história da melhor versão de mãe que podemos ser). Mas é claro que muitas vezes isso não é possível. O importante é ter isso como meta.
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