A mulher depois de ser mãe
Tive uma "crise de identidade" no contexto da maternidade (leia-se noites maldormidas e limitação abrupta da minha liberdade) e da separação conjugal (fiquei separada por pouco mais de um ano do meu marido e depois reatamos). Já não sabia mais quem eu era e precisava me reinventar (sobre o assunto, leia o reconfortante texto A arte de se reinventar depois da maternidade). Refleti dias sobre o que eu tinha feito da minha vida, sobre que tipo de pessoa eu havia me tornado, não apenas profissionalmente.
Foi então que pensei nos meus sonhos e vontades juvenis, agora tão distantes de mim, como se a vida me tivesse escorrido pelas mãos. Os 30 anos já estavam ali, batendo à porta. Percebi-me repentinamente velha, como se nos últimos anos eu não tivesse acompanhado o nascimento de rugas ou o aparecimento de flacidez. Não me reconhecia no espelho e, aliás, olhar para ele já não me agradava.
Durante um certo tempo, a responsabilidade de ser mãe me foi uma carga tão pesada que eu simplesmente tinha muita dificuldade de relaxar. Eu vivi meses sob constante tensão e alerta. Não que no primeiro ano do bebê não tenha nada de bom. Acontece que muita gente não consegue curtir essa fase, como eu, porque não consegue fazer COM ALEGRIA E GRATIDÃO as renúncias necessárias, sabendo que aquela renúncia daquele jeito é apenas por um breve período de tempo, não pela vida inteira.
E a maternidade, momento de tanta renúncia, se apresentou para mim, inicialmente, como um impedimento a viver a vida que eu não tinha vivido. Creio que a depressão pós-parto em mim tenha muito a ver com esse tipo de constatação (um texto sobre o assunto que me compreendeu muito foi este aqui Sobre a depressão pós parto e o impacto do início da maternidade nas nossas vidas).
Conforme minha filha ia crescendo, mês a mês, percebi que a dependência dela foi gradativamente diminuindo e as renúncias se tornaram cada vez menores, e que, sim, era possível ter uma vida própria após a maternidade. Ser mãe se tornou, na verdade, uma grande fonte de motivação. Pela minha filha, eu queria ser uma pessoa mais realizada profissionalmente, ser uma mulher mais feliz comigo mesma e com a autoestima elevada, pois percebi que meu estado de espírito tinha uma reflexo direto na maternagem. Pessoa feliz = mãe feliz.
Estou em franco processo de me encontrar, de resgatar minha identidade, minha autoestima, amor próprio e de aprender a ser assertiva. Estou também refletindo sobre o sentido da vida, o significado da minha existência e tenho lido livros como Quando tudo não é o bastante (apesar de o autor deixar claro que não vou encontrar esse sentido lendo livros, mas vivendo). E todas essas transformações internas refletem-se nos diferentes papéis que assumimos, inclusive no de mãe.
Ter DECIDIDO tirar a licença para tratar de interesses particulares é um dos resultados disso. Para uma pessoa como eu, TOMAR ESSA DECISÃO significou um passo enorme. Significou ousadia, coragem, significou saber quem eu sou e o que eu quero da minha vida. Significou estar RESGATANDO MINHA IDENTIDADE.
Essa licença está servindo, em parte, para eu correr atrás daquilo que não corri antes de ser mãe, como a faculdade de Direito, passar em um concurso público melhor e aprender a cozinhar. Está servindo para eu colocar a minha vida nos eixos, pois muita coisa estava fora do lugar e eu só estou percebendo agora. Uma delas, por exemplo, é a minha alimentação, assunto para um próximo post.
Nessa caminhadura, eu só posso agradecer a Deus. Por estar sempre ao meu lado, mesmo quando às vezes tenha sido difícil acreditar que Ele não havia se esquecido de mim. Somente na tua Palavra repousa a minha paz. Somente na tua Palavra encontro descanso para a minha alma. Bendito seja o Seu nome para sempre!
Como a política do blog é a de sempre mencionar e reconhecer textos que, de alguma forma, tiveram influência sobre o post, aqui vai. A inspiração para esse texto nasceu da leitura de um belíssimo texto escrito pela Michelle Amorim, do blog Vida Materna: Você mesma, outra vez.
Foi então que pensei nos meus sonhos e vontades juvenis, agora tão distantes de mim, como se a vida me tivesse escorrido pelas mãos. Os 30 anos já estavam ali, batendo à porta. Percebi-me repentinamente velha, como se nos últimos anos eu não tivesse acompanhado o nascimento de rugas ou o aparecimento de flacidez. Não me reconhecia no espelho e, aliás, olhar para ele já não me agradava.
Me dei conta de que, nos últimos anos da minha vida, EU ESTAVA VIVENDO UMA VIDA MORTA. TINHA ME ESQUECIDO DOS MEUS SONHOS, TINHA ME PERDIDO DE MIM MESMA. E estava como que à espera de algum milagre que fizesse minha vida tomar um rumo mais emocionante do que aquele trilhado. O MEDO DE VIVER era tanto que, para mim, bastava estar viva e com saúde física. Mas o que adiantava a vida e a saúde física se não se fizesse nada de produtivo com isso?
Foi aí que eu cheguei à constatação da minha realidade: eu não vivi uma vida digna e agora era mãe separada... Como faria para viver o que eu não havia vivido com uma criança pequena para criar? Sem liberdade, acordando de noite, com muitas despesas para pagar... Que homem iria querer um mulher já com filho? Esse tipo de pensamento pairava sobre a minha cabeça...
Durante um certo tempo, a responsabilidade de ser mãe me foi uma carga tão pesada que eu simplesmente tinha muita dificuldade de relaxar. Eu vivi meses sob constante tensão e alerta. Não que no primeiro ano do bebê não tenha nada de bom. Acontece que muita gente não consegue curtir essa fase, como eu, porque não consegue fazer COM ALEGRIA E GRATIDÃO as renúncias necessárias, sabendo que aquela renúncia daquele jeito é apenas por um breve período de tempo, não pela vida inteira.
E a maternidade, momento de tanta renúncia, se apresentou para mim, inicialmente, como um impedimento a viver a vida que eu não tinha vivido. Creio que a depressão pós-parto em mim tenha muito a ver com esse tipo de constatação (um texto sobre o assunto que me compreendeu muito foi este aqui Sobre a depressão pós parto e o impacto do início da maternidade nas nossas vidas).
Conforme minha filha ia crescendo, mês a mês, percebi que a dependência dela foi gradativamente diminuindo e as renúncias se tornaram cada vez menores, e que, sim, era possível ter uma vida própria após a maternidade. Ser mãe se tornou, na verdade, uma grande fonte de motivação. Pela minha filha, eu queria ser uma pessoa mais realizada profissionalmente, ser uma mulher mais feliz comigo mesma e com a autoestima elevada, pois percebi que meu estado de espírito tinha uma reflexo direto na maternagem. Pessoa feliz = mãe feliz.
Estou em franco processo de me encontrar, de resgatar minha identidade, minha autoestima, amor próprio e de aprender a ser assertiva. Estou também refletindo sobre o sentido da vida, o significado da minha existência e tenho lido livros como Quando tudo não é o bastante (apesar de o autor deixar claro que não vou encontrar esse sentido lendo livros, mas vivendo). E todas essas transformações internas refletem-se nos diferentes papéis que assumimos, inclusive no de mãe.
Ter DECIDIDO tirar a licença para tratar de interesses particulares é um dos resultados disso. Para uma pessoa como eu, TOMAR ESSA DECISÃO significou um passo enorme. Significou ousadia, coragem, significou saber quem eu sou e o que eu quero da minha vida. Significou estar RESGATANDO MINHA IDENTIDADE.
Essa licença está servindo, em parte, para eu correr atrás daquilo que não corri antes de ser mãe, como a faculdade de Direito, passar em um concurso público melhor e aprender a cozinhar. Está servindo para eu colocar a minha vida nos eixos, pois muita coisa estava fora do lugar e eu só estou percebendo agora. Uma delas, por exemplo, é a minha alimentação, assunto para um próximo post.
Nessa caminhadura, eu só posso agradecer a Deus. Por estar sempre ao meu lado, mesmo quando às vezes tenha sido difícil acreditar que Ele não havia se esquecido de mim. Somente na tua Palavra repousa a minha paz. Somente na tua Palavra encontro descanso para a minha alma. Bendito seja o Seu nome para sempre!
Como a política do blog é a de sempre mencionar e reconhecer textos que, de alguma forma, tiveram influência sobre o post, aqui vai. A inspiração para esse texto nasceu da leitura de um belíssimo texto escrito pela Michelle Amorim, do blog Vida Materna: Você mesma, outra vez.
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