A experiências das férias
Não vou negar que quando as desejadas férias finalmente chegaram, eu fiquei um pouco desesperada com a situação de ter que lidar praticamente sozinha com a minha filha de quase dois anos. A escolinha havia acabado e a faxineira viajado. E agora José?
Os primeiros dias foram terríveis para mim. Eu estava estressada, ansiosa, sem saber como lidar com a birra da minha filha, sem ter uma rotina com ela, sem saber como fazer com o almoço, eu chorei de desespero ao ter uma conversa com meu marido sobre a situação.
O tom da conversa dele não foi o de me encorajar a dar conta, não foi o de me apoiar para dar conta comigo... Foi de pagar alguém para me ajudar pois eu não estava dando conta sozinha e que não havia o menor problema por conta disso. Se o problema era dinheiro, estava resolvido.
O fato é que saí daquela conversa disposta a mudar meu comportamento com minha filha para que a gente pudesse ter um convivência mais harmoniosa e pacífica dentro de casa, porque eu simplesmente não conseguia controlar minha filha de forma que eu simplesmente não conseguia fazer em casa sem que ela ficasse chorando. Ela queria atenção full time.
Pois bem, decidi que ela iria continuar recebendo atenção e que, nos momentos em que eu precisasse fazer alguma coisa, como lavar a louça ou colocar roupas para lavar, eu lhe explicaria calmamente, na altura dela, que ela poderia brincar com os brinquedos ou assistir à Galinha Pintadinha enquanto a mamãe terminaria de trabalhar. Se ela chorasse, paciência. Eu continuaria fazendo o que tinha que fazer sem qualquer sentimento de culpa.
E tudo começou a melhorar a partir daquele instante. A minha postura como mãe mudou e isso se refletiu diretamente no comportamento da minha filha, de modo que, ao fim do noite, embora cansada, eu não me sentia mais emocionalmente desgastada nem com vontade de sumir do mapa. Senti que houve um amadurecimento muito grande da minha parte como mãe e que eu tomei as rédeas da situação. Senti que ocupei um espaço que é meu mesmo como mãe.
Também aproveitei as férias para fazer alguns programas juntas, tipo ir ao supermercado, parquinho. Aproveitei para ser um pouco mais dona de casa. Colocar as roupas para lavar, tirar os tapetes sujos do banheiro, tarefa antes delegada à minha faxineira. Me aventurei na cozinha e fiz biscoitos amanteigados e estrogonofe de filé.Isso foi importante pois me senti mais dona da minha casa, mais senhora do meu destino, menos dependente das pessoas.
No final das contas, eu tenho me estressado bem menos, minha filha tem chorado bem menos, quando chora eu não me sinto culpada pois tenho certeza que estou fazendo o melhor que posso por ela e decididamente está incluído a tarefa de lhe dar limites. Se chegou a hora de ir embora do parquinho, chegou e pronto! Pode chorar o tanto que quiser.
Fiquei feliz por conseguir, sozinha, estabelecer em menos de três semanas uma rotina saudável e harmoniosa para nós duas, rotina essa da qual muito me orgulho, pois nos permite curtir e descansar. A minha filha passou a comer bem, como come na escolinha, e a tirar uma soneca de cerca de duas horas e meia por dia! Bom demais!
É claro que toda essa harmonia é percebida pelo meu marido e pai da minha filha. Ele é meio que contagiado nessa rotina saudável e, no fim do dia, geralmente estamos felizes e satisfeitos em vez de estressados e belicosos.
Graças a Deus por essas férias e por esse passo tomado! Foram momentos muito gostosos ao lado da minha filha, de aprendizado mútuo! Ser mãe não é tarefa fácil, mas me sinto bastante realizada quando cumpro esse papel da maneira que entendo ser a melhor.
Não tem jeito... a gente só aprende a viver, vivendo! Só aprende a conviver, convivendo! Só aprende a cozinhar, cozinhando! Não adianta ler, ver filme sobre o tema, não adianta nem mesmo ter doutorado sobre o assunto. Existem muitas coisas na vida que a gente só sabe de verdade quando vive a EXPERIÊNCIA. E essa experiência nem sempre é prazeirosa, mas dolorosa também.
Os dias passaram rápido... A rotina se estabeleceu naturalmente. E os medos de ir para o parquinho ficar no meio de um monte de babá fofoqueira e curiosa ou de ela fazer um escândalo no restaurante foram enfrentados. A melhor maneira de lidar com nossos medos é enfrentá-los. É libertador. Nos fortalece. Um dos meus lemas está sendo: se der medo, vai com medo mesmo.
Foi fundamental eu ter aprendido a deixar temporariamente de lado metas como ir 3 vezes à academia, estudar e ter uma alimentação mais regrada. Foi fundamental eu ter me desligado um pouco da minha aparência: maquiagem, roupa, cabelo. Não que eu tenha ficado desleixada, mas, quando ia para o trabalho, isso me preocupava tanto que me estressava! "Preciso ficar bonita, preciso ficar bonita". Como posso querer estar só o glamour se estiver disposta a me sujar na areia? Aí que entra o equilíbrio. É preciso ter um mínimo para nos sentirmos bem, mas ter um limite para não virar uma prisão.
Hoje mais do que ontem, ontem mais do que anteontem e assim antecessivamente (se existisse essa palavra), eu tenho aprendido a ser mãe. A dar à minha filha de forma mais harmoniosa a tríade: carinho, atenção e limites. Sem culpas, sem neuras. Com mais leveza, com mais inteireza de presença. Sem sentir pânico ou desespero por ter, SOZINHA, que cuidar dela, seja para passar o dia, seja para sair com ela para almoçar no self service.
Obs.: texto escrito originalmente em 15 de janeiro de 2015
Os primeiros dias foram terríveis para mim. Eu estava estressada, ansiosa, sem saber como lidar com a birra da minha filha, sem ter uma rotina com ela, sem saber como fazer com o almoço, eu chorei de desespero ao ter uma conversa com meu marido sobre a situação.
O tom da conversa dele não foi o de me encorajar a dar conta, não foi o de me apoiar para dar conta comigo... Foi de pagar alguém para me ajudar pois eu não estava dando conta sozinha e que não havia o menor problema por conta disso. Se o problema era dinheiro, estava resolvido.
O fato é que saí daquela conversa disposta a mudar meu comportamento com minha filha para que a gente pudesse ter um convivência mais harmoniosa e pacífica dentro de casa, porque eu simplesmente não conseguia controlar minha filha de forma que eu simplesmente não conseguia fazer em casa sem que ela ficasse chorando. Ela queria atenção full time.
Pois bem, decidi que ela iria continuar recebendo atenção e que, nos momentos em que eu precisasse fazer alguma coisa, como lavar a louça ou colocar roupas para lavar, eu lhe explicaria calmamente, na altura dela, que ela poderia brincar com os brinquedos ou assistir à Galinha Pintadinha enquanto a mamãe terminaria de trabalhar. Se ela chorasse, paciência. Eu continuaria fazendo o que tinha que fazer sem qualquer sentimento de culpa.
E tudo começou a melhorar a partir daquele instante. A minha postura como mãe mudou e isso se refletiu diretamente no comportamento da minha filha, de modo que, ao fim do noite, embora cansada, eu não me sentia mais emocionalmente desgastada nem com vontade de sumir do mapa. Senti que houve um amadurecimento muito grande da minha parte como mãe e que eu tomei as rédeas da situação. Senti que ocupei um espaço que é meu mesmo como mãe.
Também aproveitei as férias para fazer alguns programas juntas, tipo ir ao supermercado, parquinho. Aproveitei para ser um pouco mais dona de casa. Colocar as roupas para lavar, tirar os tapetes sujos do banheiro, tarefa antes delegada à minha faxineira. Me aventurei na cozinha e fiz biscoitos amanteigados e estrogonofe de filé.Isso foi importante pois me senti mais dona da minha casa, mais senhora do meu destino, menos dependente das pessoas.
No final das contas, eu tenho me estressado bem menos, minha filha tem chorado bem menos, quando chora eu não me sinto culpada pois tenho certeza que estou fazendo o melhor que posso por ela e decididamente está incluído a tarefa de lhe dar limites. Se chegou a hora de ir embora do parquinho, chegou e pronto! Pode chorar o tanto que quiser.
Fiquei feliz por conseguir, sozinha, estabelecer em menos de três semanas uma rotina saudável e harmoniosa para nós duas, rotina essa da qual muito me orgulho, pois nos permite curtir e descansar. A minha filha passou a comer bem, como come na escolinha, e a tirar uma soneca de cerca de duas horas e meia por dia! Bom demais!
É claro que toda essa harmonia é percebida pelo meu marido e pai da minha filha. Ele é meio que contagiado nessa rotina saudável e, no fim do dia, geralmente estamos felizes e satisfeitos em vez de estressados e belicosos.
Graças a Deus por essas férias e por esse passo tomado! Foram momentos muito gostosos ao lado da minha filha, de aprendizado mútuo! Ser mãe não é tarefa fácil, mas me sinto bastante realizada quando cumpro esse papel da maneira que entendo ser a melhor.
Não tem jeito... a gente só aprende a viver, vivendo! Só aprende a conviver, convivendo! Só aprende a cozinhar, cozinhando! Não adianta ler, ver filme sobre o tema, não adianta nem mesmo ter doutorado sobre o assunto. Existem muitas coisas na vida que a gente só sabe de verdade quando vive a EXPERIÊNCIA. E essa experiência nem sempre é prazeirosa, mas dolorosa também.
Os dias passaram rápido... A rotina se estabeleceu naturalmente. E os medos de ir para o parquinho ficar no meio de um monte de babá fofoqueira e curiosa ou de ela fazer um escândalo no restaurante foram enfrentados. A melhor maneira de lidar com nossos medos é enfrentá-los. É libertador. Nos fortalece. Um dos meus lemas está sendo: se der medo, vai com medo mesmo.
Foi fundamental eu ter aprendido a deixar temporariamente de lado metas como ir 3 vezes à academia, estudar e ter uma alimentação mais regrada. Foi fundamental eu ter me desligado um pouco da minha aparência: maquiagem, roupa, cabelo. Não que eu tenha ficado desleixada, mas, quando ia para o trabalho, isso me preocupava tanto que me estressava! "Preciso ficar bonita, preciso ficar bonita". Como posso querer estar só o glamour se estiver disposta a me sujar na areia? Aí que entra o equilíbrio. É preciso ter um mínimo para nos sentirmos bem, mas ter um limite para não virar uma prisão.
Hoje mais do que ontem, ontem mais do que anteontem e assim antecessivamente (se existisse essa palavra), eu tenho aprendido a ser mãe. A dar à minha filha de forma mais harmoniosa a tríade: carinho, atenção e limites. Sem culpas, sem neuras. Com mais leveza, com mais inteireza de presença. Sem sentir pânico ou desespero por ter, SOZINHA, que cuidar dela, seja para passar o dia, seja para sair com ela para almoçar no self service.
Obs.: texto escrito originalmente em 15 de janeiro de 2015
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