Vantagem invisível
Existe um aspecto muito importante que pouco se fala na maternidade: a rede de apoio dos pais, especialmente da mãe. É um conjunto de pessoas ou mesmo uma única pessoa que apóia emocionalmente e ajuda a mãe nas várias de suas responsabilidades na criação dos filhos. Parece bobagem, mas faz uma enorme diferença no dia-a-dia ter alguém de confiança com que contar - e que não seja o pai, mesmo que este seja participativo - para ajudar na criação dos filhos.
Acho que as mães que podem contar com esse tipo de apoio - desde que ajude mais do que atrapalhe - de suas próprias mães (avós das crianças) têm uma vantagem em relação às demais mães em dois sentidos. Em primeiro lugar, elas tiveram em suas mães referências de criação, o que já lhes deixa mais à vontade com a nova missão que têm pela frente.
Em segundo lugar, essas mães sentem-se menos sobrecarregadas e mais fortalecidas quando atravessam algum tipo de dificuldade ou necessidade durante a maternidade sem se sentirem culpadas por deixarem seus filhos, momentaneamente, de lado. Afinal, estar com esse tipo de avó é ter o benefício de um vínculo que pode ser tão saudável como o vínculo com a mãe, além de ajudar a incutir valores semelhantes aos dos pais.
Dificilmente pagamos para ter esse tipo de apoio. Aliás, não é papel das babás prestarem esse tipo de serviço afetivo-emocional às mães. Ao contrário, as babás cuidam do trabalho "braçal": dar banho, dar comida, trocar de roupa, levar para fazer xixi e cocô, escovar os dentes, levar para brincar no parquinho...
Não tem como querer comparar os desafios de duas mães, tendo uma delas esse apoio e outra não, ainda que ambas pertençam à mesma classe econômica. Enquanto a que não tem uma boa referência materna nem tem uma rede de apoio, nem mesmo conta com um pai participativo, está "pelejando" para enfrentar determinadas questões, a outra, com toda essa estrutura, já está muito à frente na criação de seus filhos em termos de questões a trabalhar.
Por mais que a mãe sem estrutura seja tão ou até mais bem intencionada que a mãe com estrutura afetivo-emocional, dificilmente suas boas intenções serão suficientes para suplantar uma história de vida lacunosa. A comparação é injusta pois os desafios são diferentes. É o peso do passado que se perpetua no presente que desiguala essas duas mães.
A mãe com estrutura e bem-intencionada terá mais facilidade de criar seus filhos e, certamente, terá mais êxito e será mais bem-sucedida nessa tarefa que a outra mãe, sem estrutura e também bem-intencionada. Por conta disso, a mãe com estrutura aumentará sua auto-confiança certa de que os resultados de sua exímia criação dependem única e exclusivamente dela, quando, na verdade, há toda uma vantagem invisível que torna essa complexa tarefa de criar os filhos mais fluida. A mãe sem estrutura, se não se aperceber disso, pode ter sua auto-confiança abalada ao se perguntar por que fracassa em certos aspectos que parecem tão mais simples e fáceis para a outra mãe estruturada.
Ter sucesso na criação dos filhos jamais é fruto exclusivo do amor ou da boa-vontade de criá-los bem. O passado da mãe, a sua história de vida, a sua referência materna, o ambiente familiar em que nasceu e se criou são questões que influenciam nessa tarefa, além do fato de poder ou não contar, durante a maternidade, com uma rede de apoio.
O que quero dizer é que por mais que duas mães amem suas crias com a mesma intensidade e que tenham os mesmos recursos financeiros para cuidar delas, outras questões interferem na qualidade das criação dos filhos e que, muitas vezes, estão além do controle dessas mães. Por exemplo, não se tem controle do fato de se ter nascido em determinado contexto familiar ou de se ter sofrido certos traumas durante a vida.
É claro que a mãe estruturada encontra-se mais bem preparada para a missão e consegue ir mais longe no que se refere à criação de filhos - também em outros aspectos da vida, diga-se de passagem. E isso não se deve ao fato de ela ser uma "boa mãe" ou de "amar muito" seus filhos. Claro que essa vontade de "dar o melhor para os filhos" conta muito, porém ela não pode ser creditada única e exclusivamente a isso, havendo toda uma vantagem invisível que a faz ter excelência na maternidade.
Eu jamais li em artigo ou livro sobre o assunto que escrevi hoje, mas tenho para mim que faz muito sentido e foram ideias profundamente inspiradas no livro "Outliers - foras de série". Não existe a "self-made mother".
Acho que as mães que podem contar com esse tipo de apoio - desde que ajude mais do que atrapalhe - de suas próprias mães (avós das crianças) têm uma vantagem em relação às demais mães em dois sentidos. Em primeiro lugar, elas tiveram em suas mães referências de criação, o que já lhes deixa mais à vontade com a nova missão que têm pela frente.
Em segundo lugar, essas mães sentem-se menos sobrecarregadas e mais fortalecidas quando atravessam algum tipo de dificuldade ou necessidade durante a maternidade sem se sentirem culpadas por deixarem seus filhos, momentaneamente, de lado. Afinal, estar com esse tipo de avó é ter o benefício de um vínculo que pode ser tão saudável como o vínculo com a mãe, além de ajudar a incutir valores semelhantes aos dos pais.
Dificilmente pagamos para ter esse tipo de apoio. Aliás, não é papel das babás prestarem esse tipo de serviço afetivo-emocional às mães. Ao contrário, as babás cuidam do trabalho "braçal": dar banho, dar comida, trocar de roupa, levar para fazer xixi e cocô, escovar os dentes, levar para brincar no parquinho...
Não tem como querer comparar os desafios de duas mães, tendo uma delas esse apoio e outra não, ainda que ambas pertençam à mesma classe econômica. Enquanto a que não tem uma boa referência materna nem tem uma rede de apoio, nem mesmo conta com um pai participativo, está "pelejando" para enfrentar determinadas questões, a outra, com toda essa estrutura, já está muito à frente na criação de seus filhos em termos de questões a trabalhar.
Por mais que a mãe sem estrutura seja tão ou até mais bem intencionada que a mãe com estrutura afetivo-emocional, dificilmente suas boas intenções serão suficientes para suplantar uma história de vida lacunosa. A comparação é injusta pois os desafios são diferentes. É o peso do passado que se perpetua no presente que desiguala essas duas mães.
A mãe com estrutura e bem-intencionada terá mais facilidade de criar seus filhos e, certamente, terá mais êxito e será mais bem-sucedida nessa tarefa que a outra mãe, sem estrutura e também bem-intencionada. Por conta disso, a mãe com estrutura aumentará sua auto-confiança certa de que os resultados de sua exímia criação dependem única e exclusivamente dela, quando, na verdade, há toda uma vantagem invisível que torna essa complexa tarefa de criar os filhos mais fluida. A mãe sem estrutura, se não se aperceber disso, pode ter sua auto-confiança abalada ao se perguntar por que fracassa em certos aspectos que parecem tão mais simples e fáceis para a outra mãe estruturada.
Ter sucesso na criação dos filhos jamais é fruto exclusivo do amor ou da boa-vontade de criá-los bem. O passado da mãe, a sua história de vida, a sua referência materna, o ambiente familiar em que nasceu e se criou são questões que influenciam nessa tarefa, além do fato de poder ou não contar, durante a maternidade, com uma rede de apoio.
O que quero dizer é que por mais que duas mães amem suas crias com a mesma intensidade e que tenham os mesmos recursos financeiros para cuidar delas, outras questões interferem na qualidade das criação dos filhos e que, muitas vezes, estão além do controle dessas mães. Por exemplo, não se tem controle do fato de se ter nascido em determinado contexto familiar ou de se ter sofrido certos traumas durante a vida.
É claro que a mãe estruturada encontra-se mais bem preparada para a missão e consegue ir mais longe no que se refere à criação de filhos - também em outros aspectos da vida, diga-se de passagem. E isso não se deve ao fato de ela ser uma "boa mãe" ou de "amar muito" seus filhos. Claro que essa vontade de "dar o melhor para os filhos" conta muito, porém ela não pode ser creditada única e exclusivamente a isso, havendo toda uma vantagem invisível que a faz ter excelência na maternidade.
Eu jamais li em artigo ou livro sobre o assunto que escrevi hoje, mas tenho para mim que faz muito sentido e foram ideias profundamente inspiradas no livro "Outliers - foras de série". Não existe a "self-made mother".
Comentários
Postar um comentário