Uma lacuna

Estou no meio da semana entre o início das aulas da minha filha e o início das minhas aulas, uma semana totally free - uma lacuna entre o que racionalmente justifica eu estar de licença: meus estudos e minha filha.

Programei-me para resolver algumas pendências em minha vida e, claro, dar um gás nos estudos. Eu deveria estar radiante. Eu deveria tornar esses dias um dos mais produtivos da minha agenda. Mas não é isso o que está acontecendo... Na verdade, fiquei meio desnorteada. Também me senti ansiosa, com a sensação de "improdutividade" e "à-toa".

Nesse contexto, em vez de estudar à força na esteira do "Just do it" (quer dizer, apenas faça, não importando como se sinta), resolvi concluir mais um livro voltado ao desenvolvimento pessoal (é como se chamam contemporaneamente os livros de autoajuda). Trata-se do Miracle Morning, do Hal Elrod, que eu ouvi pela primeira vez no canal do Fernando Mesquita.

O livro vem bem a calhar nesse momento em que estou querendo investigar porque estou sentindo-me tão mal por estar de licença. Cada segundo "livre" está vindo acompanhado de um enorme peso na consciência por não estar trabalhando. Estou já me preparando emocionalmente para retornar ao trabalho daqui um ano. Tenho me questionado se seria positivo antecipar esse retorno em 6 meses, quando teria completado exatamente metade do curso de Direito.

Talvez alguma crença limitadora (que eu chamo de bloqueio) está me impedindo de estudar com garra, determinação, entusiasmo, alegria e produtividade, fazendo com que eu desperdice esses dias tão preciosos.

Hal me deu a má notícia:
... "se não modificarmos ativamente nossa programação [psíquica, mental], nosso potencial será esmagado e nossas vidas, limitadas pelos medos, pelas inseguranças e limitações do nosso passado".
E o autor continua:
"A boa notícia é que nossa programação pode ser modificada ou aprimorada a qualquer momento. Podemos nos reprogramar para superar todos os nossos medos, inseguranças, maus hábitos e qualquer crença autolimitadora e destruidora de potencial que hoje temos, para que possamos nos tornar tão bem-sucedidos quanto queremos ser, em qualquer área da vida que escolhermos".

É uma ótima notícia! Porque eu tinha certeza (olha aí uma das minhas várias crenças limitadoras) que eu já estava condenada pelo meu passado. A prova disso é este artigo aqui: Vantagem invisível.

Como fazer isso então? Afirmações. Repetidas em voz alta dia após dia (mesmo que inicialmente não acreditemos nela) reprogramam a nossa mente subconsciente substituindo a crença limitadora por um nova crença capacitadora. Scott Adams, em Como fracassar em quase tudo e ainda ser bem-sucedido, me apresentou o tema pela primeira vez, porém de forma menos milagrosa. Talvez por isso não tenha colocado tanta fé.

Com essa nova descoberta, pensei no peso que as minhas palavras, como mãe, têm na vida da minha filha. Pretendo ser muito cuidadosa ao usar palavras negativas, especialmente rótulos, como "é uma criança difícil", além de conscientemente procurar repetir palavras positivas. Esse assunto é bem explorado no livro O poder do discurso materno, de Laura Gutman, que já comecei a ler, mas confesso precisar de mais fôlego para concluir, como a própria autora adverte.

Just say it!

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