O gato
Eu nunca pensei em ter um gato como animal de estimação. Assim como a maternidade, esse bichano sofre de uma certa falta de informação a seu respeito. Pois comecei a cogitar a possibilidade depois de constatar que um cachorro, embora adorável, tem certas necessidades que eu, sozinha, não conseguiria suprir caso não quisesse interromper alguns planos em minha vida que havia traçado meses atrás. Além disso, ter um cachorro significaria não poder nunca emendar a saída do trabalho com uma saída para a pizzaria, por exemplo. Eu precisaria voltar para ele descer, andar um pouquinho (se fosse de baixa atividade) e fazer as necessidades dele. Enfim, esse era um cenário desanimador já que comemorava com alegria cada conquista de independência e autonomia da minha filha, o que significava que eu teria mais tranquilidade e tempo para me voltar para mim. Talvez, no futuro, quando eu estiver aposentada e com muito tempo livre, o cachorro seja a companhia perfeita. Mas hoje eu também não sou a companhia perfeita para ele.
Como tenho uma conhecida que tem publicado no facebook umas fotos do seu filho de 4 anos com uma gata adotada, comecei a pensar, de longe, na possibilidade. Ela disse que a gata era a "alegria da casa". E lembro que, na época em que trabalhávamos juntas, ela só não tinha uma porque o marido não gostava... Pois eles se separaram...
Pois bem. Eu também não sabia da existência de gatis nem de criadores de gatos. Eu nem sabia que existiam tantas raças de gatos. Só conhecia os persas e os siameses. Enfim, acabei conhecendo algumas raças como o Himalaia, o Ragdool, o Maine Coon, o Angorá, o Birmanês, o Norueguês da Floresta, o American Shorhair e o British Shorthair, por exemplo. Descobri que, desde que devidamente supervisionados e com a caixa de areia a salvo do contato com as crianças, os gatos podem ser excelentes companhias para os baixinhos. Algumas raças, inclusive, são mais recomendadas.
Os gatos são considerados mais independentes que os cachorros de um modo geral, mas isso não significa que não tenham capacidade de se apegar aos donos. Ao contrário, eles podem ser muito leais. Alguns gostam de colo e cafunés, outros preferem ficar apenas perto dos donos. Alguns são mais ativos, outros mais preguiçosos, especialmente se castrados. Alguns mais velozes, mais vocais. Eles são, de um modo geral, alertas e inteligentes, observadores e gostam de ter um espaço reservado para eles para que ninguém lhes encha o saco. Essa última característica é minha também! Alguns são mais peludos, outros menos. Todos perdem pêlo e os gatos de pêlos longos perdem mais. Há gatos que pesam mais de 9 kg, sendo considerados de grande porte. Você não precisa passear com eles, eles fazem suas necessidades na caixa de areia, são bichos muito limpos, em geral silenciosos, não grudentos, não dependentes. Mas a característica mais marcante é que eles se respeitam e são capazes de manter a própria dignidade: eles não aceitam maus tratos nem abusos e se afastarão de pessoas (e crianças) que os tratem dessa maneira, se defendendo se preciso. Por outro lado, desenvolvem uma afeição sincera com os humanos que lhes cuidam bem. Acho que tenho muito a aprender com esses bichanos.
Depois de tudo que li, acho que os gatos são animais de estimação mais adequados para a moderna vida urbana bem como para pessoas que passam boa parte do dia fora de casa.

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